Mater matrix
Erros meus, (e até) má fortuna, como lamentava o poeta, afastaram-me da matemática. As palavras sempre me atraíram mais; percebi, tardiamente, com os clássicos, que poderia ter tido uma relação afectuosa com uma área do saber que é mater, matrix da Ciência e, por isso, fundamental, para a compreensão do ser do Ser. A viagem iniciática foi longa mas, na companhia de bons mestres, rendi-me.
Hoje matemáticos encontram-se na UBI. A apresentação é fácil. Situo-me no plano do desejo, tempero-o com o que conheço e não hei-de ficar longe da realidade.
A UBI escolheu a montanha. Louvou a memória restaurando e revitalizando velhas fábricas. Talvez, por isso, quando percorro os corredores, soa uma música, vá lá saber-se vinda de onde, in memoriam de quantos ali laboraram tecendo a vida da cidade.
Os teares, hoje, são outros; jovens, tão irmãos da alegria, em ambiente de conforto, abraçam amigos e livros, aprendem e seivam os saberes vários. Buscam as fórmulas da harmonia, de ordem, de perfeição, com empenho, interesse, inteligência. Letra a letra, número a número, forjam o encontro com um tempo de medida humana, mesmo que o não saibam ainda. Todos? Era o que faltava. Mas que há um bom grupo de gente de quem se vai ouvir falar positivamente, no domínio das artes e da ciência, não tenho dúvidas.
Na UBI, na Universidade, afinal, é preciso aprender a vida pela matemática, pela poesia e vice versa, seguindo este teorema:
O caminho mais simples é o que
não passa por fronteira alguma;
o que não obriga a que se olhe para o outro lado da linha, o
que tem um princípio e um fim, mesmo
que isso também seja
complicado. (Nuno Júdice)
Maria Antonieta Garcia |