Matemática e Cidadania – a figura ímpar de José Morgado Júnior*

 

Cecília Costa

Departamento de Matemática

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Vila Real, Portugal

mcosta@utad.pt

 

 

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Não foi sem sérias preocupações que aceitei o honroso convite de proferir algumas palavras sobre o Professor José Morgado Júnior. Entre os motivos de preocupação, e para além das minhas próprias limitações face à singular grandeza intelectual e moral do homenageado, destacarei o facto de ter sido sua aluna e por isso mesmo sentir ser-me difícil conseguir a objectividade e o distanciamento necessários.

Porém, o desejo de homenagear este Professor – com quem a vida me deu a oportunidade de contactar e cuja influência me foi profundamente enriquecedora – foi mais forte e por isso aqui estou hoje. Peço, desde já, que me perdoem algum lapso ou imprecisão que eu possa vir a cometer.

Pensei muito sobre o que dizer, como dizer… e cheguei à conclusão de que o importante nesta homenagem era estar, mais uma vez, com José Morgado Júnior, independentemente do orador escolhido.

A forma que encontrei de vos trazer José Morgado foi através das suas próprias palavras. Palavras escritas ao longo de décadas e que nem o fascismo conseguiu apagar… São palavras repletas de força, de coragem, de determinação e de idealismo.

Procurei seleccionar de entre alguns dos seus textos excertos marcantes das diversas fases da sua vida. Considerei a sua vida adulta dividida em três grandes fases: o período de 1940 a 1960, o período de exílio de 1960 a 1974 e o período pós 25 de Abril de 1974. Fases estas que estruturam o meu discurso, dando ainda espaço a um primeiro momento sobre a infância e adolescência deste Matemático.

Para me documentar sobre esta primeira fase pude contar com um documento privado sobre a família materna de José Morgado Júnior gentilmente cedido por sua prima Elisa Alves, o que aproveito para agradecer publicamente.

Foram-me também de grande valia o artigo “José Morgado: in memoriam” de Jorge Almeida e António Machiavelo publicado, em 2004, no Boletim da Sociedade Portuguesa de Matemática [Almeida e Machiavelo 2004] e a “entrevista a José Morgado” incluída na tese de Mestrado de Maria Zélia Bilhoto [Bilhoto 1995].

 

 

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Foi na

 

(…) capital do universo como, com orgulho e ironia provocatória, gostava de [se] referir” [Almeida e Machiavelo 2004]

 

a Pegarinhos, pequena aldeia transmontana do concelho de Alijó, que José Cardoso Morgado Júnior nasceu, precisamente, há 84 anos.

Hoje (17 de Fevereiro) é, pois, dia de festa! E uma óptima ocasião para recordar algumas das passagens mais marcantes da vida deste Matemático e Cidadão exemplar.

            José Cardoso Morgado Júnior era, tal como o seu nome indica, filho de José Cardoso Morgado, proprietário, e de Maria da Conceição Moreira, doméstica, ambos naturais e residentes em Pegarinhos, conforme consta na certidão de nascimento.

O Pai morreu muito jovem (com cerca de 26 anos), tinha o filho uns dois ou três anos, e apesar da Família possuir alguns terrenos de cultivo a sua situação financeira não era boa. De modo que algum tempo depois e a partir de Janeiro de 1926, o pequeno Morgado e a Mãe passaram a viver com a Avó materna e Madrinha – Mariana Rosa de Moreira – na casa desta na Rua Central, em Pegarinhos. Embora José fosse filho único foi criado, nesta casa, com mais três primas (irmãs entre si) como se fossem suas irmãs [Moreira 1994].

A Mãe foi uma mulher muito especial e de grande coragem; enviuvou por volta dos trinta anos e desde aí dedicou a sua vida ao filho e a três sobrinhas, são de uma dessas sobrinhas, Mariana, as palavras:

 

“A Tia Conceição [Mãe de José Morgado Jr.] (…) Tudo fazia para que tivéssemos saúde e alegria. Foi uma grande senhora e uma boa educadora.” [Moreira 1994]

 

José Morgado frequentou a escola primária em Pegarinhos tendo tido por professor o seu Padrinho Basílio Morgado.

Em seguida, o jovem Morgado fez o primeiro e o segundo anos do curso dos liceus em Favaios (a cerca de 19 km de casa). José Morgado concluiu o curso dos liceus no Liceu Camilo Castelo Branco em Vila Real (a cerca de 60 km de casa), desta feita com o apoio de alguns professores, uma vez que a sua Família não podia custear todas as despesas. Morgado revelou-se sempre um aluno excepcional. [Almeida e Machiavelo 2004].

Nas férias regressava a Pegarinhos e à sua Família… E conforme relata Mariana Moreira, uma das primas com quem foi criado,

 

“Quando ele vinha de férias retomávamos as nossas brincadeiras e ouvíamos o que ele nos contava da sua vida de estudante. Pelo Natal era sempre uma alegria. Reunidos à volta da fogueira dávamos largas à nossa imaginação.” [Moreira 1994].

 

São ainda de Mariana as palavras seguintes:

 

“(…) ainda enquanto estudante [José Morgado] aproveitava os períodos de férias  para dinamizar actividades culturais na sua aldeia natal, nomeadamente representações teatrais em que ele próprio era produtor, encenador e actor.”

“Antigamente, (…) em Pegarinhos, apesar de ser uma aldeia, apreciava-se e fazia-se muito teatro.” [Moreira 1994].               

 

Estas palavras comprovam que a faceta humanista de José Morgado se revelou desde muito jovem. Recorde-se que nesta altura grande parte da população era analfabeta, o que obrigava a que, nos ensaios das representações teatrais, fosse muitas das vezes José Morgado quem, pacientemente, lia o texto para que os actores fossem decorando as suas falas. Este é apenas um exemplo da sua actuação cívica quando ainda muito jovem.

 

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Terminado o curso dos liceus, José Morgado vai para o Porto continuar os seus estudos na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde frequentou o curso de Ciências Matemáticas, o qual concluiu em 1944.

Para poder efectuar os seus estudos superiores, o jovem Morgado deu explicações e, a partir de 1942 iniciou a sua carreira docente leccionando em colégios particulares (nomeadamente no Colégio Nossa Senhora da Conceição em Espinho e no Colégio Brotero na Foz do Douro [Machiavelo 2004]).

É interessante ouvir a descrição, feita por José Morgado, do ensino da altura destacando dois dos seus professores que muito o influenciaram, embora de formas diferentes: Ruy Luís Gomes – “Querido Professor e Companheiro” de prisão e de muitas lutas pela democracia e pela paz; e, Almeida e Costa – com quem se iniciou no estudo da Álgebra Abstracta.

 

“Quando os estudantes da Licenciatura em Ciências Matemáticas ingressavam no 4º ano, tinham a sensação de entrar num mundo escolar diferente.

As exposições, até então dogmáticas ou quase dogmáticas, eram substituídas por exposições aparentemente não tão seguras, por vezes cheias de hesitações, mas eram, sem dúvida, exposições vivas, dialogadas, humanizadas e entusiásticas.

Nas aulas de Física Matemática, com Ruy Luís Gomes e em muitas aulas de Mecânica Celeste, com Almeida Costa, tinha-se a sensação de participar, em maior ou menor grau, no crescimento ou melhoramento de um ou outro aspecto das teorias matemáticas tratadas (…) ” [Morgado 1985]

 

A formação universitária de José Morgado foi feita num momento muito especial da história do desenvolvimento matemático português. A actuação e dinamismo de alguns Matemáticos portugueses (tais como: Alfredo Pereira Gomes, António Almeida e Costa, António Aniceto Monteiro, Aureliano de Mira Fernandes, Bento de Jesus Caraça, Hugo Ribeiro, José Gaspar Teixeira, José Cardoso Morgado Jr., José Sebastião e Silva, José da Silva Paulo, José Vicente Gonçalves, Luís Neves Real, Manuel Zaluar Nunes, Pilar Ribeiro, Ruy Luís Gomes, entre outros) criaram um movimento matemático de grande importância e extremamente promissor, não fossem as investidas do Governo contra essa evolução.

 

“(…) durante o século XX, sofremos quase meio século de ditadura, caracterizada por uma repressão cruel e persistente contra todas as manifestações de liberdade, praticada por uma censura e uma polícia política ao serviço dos monopólios e especialmente dirigida contra os trabalhadores (quer manuais, quer intelectuais) (…)” [Morgado 1987]

 

 Apenas para tentar dar uma ideia desta efervescência da actividade matemática atente-se na lista [Morgado 1995a] de instituições constituídas num espaço de cerca de cinco anos:

- Portugaliae Mathematica, fundada em 1937.

- Seminário Matemático de Lisboa 1938 (passa a designar-se Seminário de Análise Geral em Novembro de 1939).

- Centro de Estudos de Matemáticas Aplicadas à Economia, fundado em 1938.

- Gazeta de Matemática, fundada em Janeiro de 1939 (da qual Morgado foi redactor desde os nº 37 e 38 de 1948 e redactor principal desde o nº 46 de 1950; em 1956 regeu o curso de Introdução à Teoria dos Anéis, promovido pela Gazeta de Matemática).

- Centro de Estudos Matemáticos de Lisboa, fundado em Fevereiro de 1940.

- Sociedade Portuguesa de Matemática, fundada em Dezembro de 1940 (da qual Morgado foi membro e 2º secretário no biénio 1947/1948).

- Centro de Estudos Matemáticos do Porto, fundado em Fevereiro de 1942.

- Junta de Investigação Matemática, fundada em Outubro de 1943 (da qual Morgado foi membro).

-         Tipografia Matemática de Lisboa.

 

Alguns dos objectivos que moviam estes matemáticos eram: desenvolver a investigação científica em Portugal, modernizar o ensino nas universidades portuguesas, elevar o nível cultural e científico do País, quebrar o isolamento científico de Portugal.

 

As instituições nascidas do dinamismo de António Monteiro e seus colaboradores (…) contribuíram fortemente para criar a consciência da necessidade de se acabar com o isolamento que, no decorrer dos tempos, tanto prejudicou os trabalhadores científicos portugueses. ” [Morgado 1995a]

 

Os Centros de Estudos Matemáticos contribuíram para acabar com o isolamento dos matemáticos de uma mesma Escola ou Universidade.

A Gazeta de Matemática contribuiu para acabar com o isolamento de docentes e estudantes de Matemática entre as diversas Escolas e Universidades Portuguesas e para acompanhar o Movimento Matemático de outros países.

A Portugaliae Mathematica contribuiu para acabar com o isolamento dos matemáticos portugueses, de uns em relação aos outros e de todos em relação aos matemáticos de outros países.

A Sociedade Portuguesa de Matemática contribuiu para acabar com todas as modalidades de isolamento; promove a ida de matemáticos portugueses ao estrangeiro e a vinda de matemáticos estrangeiros a Portugal. (...)

Todas estas instituições (…) prestaram ao nosso País um serviço inestimável, quer no plano científico quer no plano Humano: no plano científico, na medida em que, rompendo o isolamento, ajudaram a criar condições indispensáveis à melhoria da criação matemática portuguesa; no plano humano, na medida em que, nascendo numa época em que matemáticos de tantos países foram perseguidos, ajudaram a criar, em todos nós, um sentimento de solidariedade com os matemáticos perseguidos de todo o Mundo.” [Morgado 1995a]

 

Em 16 de Julho de 1945, José Morgado Jr. entra como Assistente para o Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa.

 

“Depois do filho formado, à custa de muito sacrifício e muita aplicação da parte dele, a minha tia [Mãe de José Morgado Jr.] vivia mais tranquila, mas foi sol de pouca dura.” [Moreira 1994]

 

Efectivamente, em 15 de Junho de 1947, o Jornal de Notícias publica em primeira página, sob o título “O Governo vai proceder energicamente contra todos os indivíduos que dêem provas de oposição aos princípios constitucionais”, uma notícia arrasadora quer para o País quer para os directamente envolvidos. Entre eles o recém Assistente do Instituto Superior de Agronomia, uma vez que em 18 de Junho de 1947, é afastado do ensino oficial por razões políticas (por deliberação do Conselho de Ministros de 14/06/1947).

 

Contra a Universidade, em 1947, foi desencadeada uma das maiores ofensivas, só comparável à de 1935 (aquela que afastou Abel Salazar, Aurélio Quintanilha e Rodrigues Lapa). Entre outros, foram afastados do ensino Bento Caraça, Azevedo Gomes, Ruy Luís Gomes, Pulido Valente, Fernando Fonseca, Dias Amado, Mário Silva, Manuel Valadares, Marques da Silva, Zaluar Nunes, Celestino da Costa, Armando Gibert, Ferreira de Macedo, Peres de Carvalho, Flávio Resende, Torres de Assunção, Laureano Barros, José Morgado, Remy Freire, Morbey Rodrigues.” [Morgado 1985]

 

Começa aqui um longo interregno na carreira profissional de José Morgado… Cerca de 13 anos, os quais viveu dando lições particulares (de Cálculo infinitesimal, Matemáticas gerais, Geometria descritiva, Geometria projectiva) a estudantes do ensino superior. Lições esta intercaladas por períodos de prisão por razões políticas.

 

 “(…) a tia Conceição  [Mãe de José Morgado Jr.] sofria muito. Passava noites sem dormir e não tinha apetite de comer. Já nada tinha sentido para ela. Só tinha um filho e esse estava preso.” [Moreira 1994]

 

Estou certa que não foi apenas a Mãe de José Morgado quem sofreu profundamente com as perseguições políticas de que este foi vítima. Também Maria Helena de Vinhas Novais (natural de Chaves) – sua esposa desde 19 de Dezembro de 1955 – durante cerca de meio século acompanhou de forma firme e destemida o marido. Outra testemunha é o filho único do casal – José Paulo – nascido cerca de um ano antes de José Morgado partir para o exílio.

Apesar das dificuldades, o Matemático José Morgado ia desenvolvendo a sua investigação científica em Teoria dos Reticulados.

 

O fascismo conseguiu reduzir muito a nossa actividade matemática, mas não conseguiu acabar totalmente com ela. ” [Morgado 1985]

 

O trabalho científico “Reticulados (Vol.I – sistemas parcialmente ordenados)”, publicado pela Junta de Investigação Matemática, em 1956,  foi em grande parte desenvolvido na prisão:

 

“(…)  grande  parte  deste volume foi escrita  num momento em  que nos  era  completamente  impossível  o  acesso  às Bibliotecas do nosso País para consulta de livros e revistas, bem como o contacto com outros estudiosos.” [Morgado in Almeida e Machiavelo 2004] 

 

Este período foi, não só, um período intenso de actividade pelo desenvolvimento matemático, como também pela luta democrática. E, também aí José Morgado deu um contributo exemplar.

            Em jeito de ilustração, refiro a sua participação no Movimento de Unidade Democrática. São de José Morgado as palavras:

 

Em Portugal, forma-se o Movimento de Unidade Democrática, a partir da histórica sessão realizada em Lisboa, no Centro Republicano Almirante Reis, a que tivemos a alegria de assistir juntamente com o Professor Ruy Luís Gomes.” [Morgado 1985]

 

É claro que este foi apenas o início de uma participação activa e empenhada no MUD.

            Refiro ainda a título de exemplos, a sua participação activa no Movimento Nacional Democrático e o apoio à candidatura de Ruy Luís Gomes à Presidência da República Portuguesa em 1951.

Eu poderia tentar descrever a faceta de José Morgado enquanto combatente pela Democracia, mas muito melhor do que eu o conseguiria fazer, fá-lo José Morgado evocando Ruy Luís Gomes. É como se estivesse a falar dele próprio!...

 

Grande combatente pela Democracia, pela sua participação activa nos movimentos democráticos contra o fascismo, pela seriedade com que sempre desempenhou as suas funções (…) no Movimento Nacional Democrático, pela coerência da sua actuação em defesa da Unidade de Acção dos Democratas contra o regime fascista, pela coragem com que enfrentou as agressões de que foi vítima (…), pela sua resistência às perseguições que lhe moveram as forças de repressão fascista e as condenações pelos Tribunais Plenários de Lisboa e Porto, pela sua actuação permanente em prol das liberdades democráticas, quer enquanto viveu em Portugal, quer quando teve de viver fora do País. ” [Morgado 1995]

 

 

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As palavras de José Morgado proferidas em 1987 descrevem também a sua própria situação:

 

“É verdade que a ditadura então reinante acabou com o Centro, expulsou vários professores das Universidades, perseguiu, prendeu e condenou outros, forçou alguns ao exílio.” [Morgado 1987]

 

O exercício da sua cidadania, nomeadamente em prol da democracia, custou-lhe sérias represálias infligidas pelo governo ditatorial da época, chegando no limite a ser forçado ao exílio.

Em 1960 José Morgado Jr. parte para o Brasil, para Recife, onde se mantém durante cerca de 14 anos. Pouco tempo depois de se instalar no Recife, a Mãe, a Esposa e o Filho juntaram-se a ele.

 

“Depois de estar bem instalado no Brasil, o meu primo Zé mandou ir para junto dele a mãe, a esposa e o filho de onze meses.” [Moreira 1994]

 

Na Universidade do Recife (a partir de 1966, denominada Universidade Federal de Pernambuco) Morgado reencontra Alfredo Pereira Gomes e Manuel A. Zaluar Nunes, que já lá estavam desde 1953 e, mais tarde, em 1962 é Ruy Luís Gomes quem se junta a este grupo de Matemáticos portugueses exilados.

E, no Brasil, juntos, conseguiram pôr em prática muitos dos ideais por que lutavam no seu País e pelos quais tiveram de o abandonar. Criaram uma Escola de Matemática na Universidade do Recife! Sobre este assunto, Morgado manifesta-se do seguinte modo:

 

Em Recife existe hoje uma Escola de Matemática, que está cumprindo a sua função – é um viveiro de matemáticos. É muito emocionante pensar que os matemáticos portugueses que trabalharam na Universidade Federal de Pernambuco contribuíram para que assim acontecesse.” [Morgado 1985]

 

O papel relevante dos Matemáticos Portugueses no desenvolvimento de uma Escola de Matemática na Universidade do Recife é referido por várias personalidades. Um exemplo é Leopoldo Nachbin que no seu discurso de agradecimento ao receber o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco, em 29 de Junho de 1973, afirma

 

Nesta oportunidade, desejo render a minha sincera homenagem aos nomes dos matemáticos da Universidade Federal de Pernambuco que, a meu ver, mais significativamente contribuíram para tornar o Recife o maior e o melhor centro matemático do Nordeste brasileiro e um dos mais pujantes da América Latina. Refiro-me a meus colegas e amigos, os Professores Alfredo Pereira Gomes, Fernando António Figueiredo Cardoso da Silva, José Cardoso Morgado Júnior, Manuel Zaluar Nunes, Roberto Figueiredo Ramalho de Azevedo e Ruy Luís Gomes. Foi a dedicação incansável destes cientistas e, acima de tudo, sua visão correta do problema da implantação de uma verdadeira escola matemática em todos os seus níveis, que os conduziram não somente ao sucesso alcançado, mas também à compreensão do rumo a imprimir num futuro previsível.” [Gazeta de Matemática 1974(?)]  

 

Foi também para mim emocionante constatar que, actualmente, os Colegas da Universidade Federal de Pernambuco reconhecem essa contribuição. Na página on-line desta Universidade podem encontrar-se os seguintes links:

- Professores com destacada contribuição para a formação do Departamento de Matemática – onde aparecem os textos “Luiz de Bastos Freire (1896-1963)”, “O Prof. Ruy Luís Gomes no Recife” de Fernando Cardoso e “Prof. José Morgado” de Aron Simis. 

- Origem e criação do Departamento de Matemática – onde aparece um texto alusivo à influência dos Professores Portugueses na formação do Departamento de Matemática.

Entre outros aspectos, José Morgado contribuiu para a reestruturação e desenvolvimento da formação matemática institucional, nomeadamente quando em 1963, reformulou o currículo do Curso de Matemática.                   

 

- Boletim do Instituto de Física e Matemática – onde aparece o texto “Histórico da Fundação do Instituto de Física e Matemática da Universidade do Recife” – onde a actuação dos Matemáticos Portugueses é mais uma vez notória.

A saber, estes Matemáticos Portugueses contribuíram para: o desenvolvimento do Instituto de Física e Matemática (I.F.M.) criado em 1952; e a criação do Instituto de Matemática (I.M.) em 1968.

 

-         Criação do Mestrado – referência ao início das actividades de pesquisa e criação do Curso de Mestrado em Matemática onde, mais uma vez, se faz alusão à contribuição de Alfredo Pereira Gomes, Ruy Luís Gomes e José Morgado, entre outros.

 

Em 1957 Alfredo Pereira Gomes cria a primeira das colecções científicas editadas pela Universidade do Recife a Colecção “Textos de Matemática” (I.M.) da qual José Morgado foi co-director. Mais tarde, em 1965, Ruy Luís Gomes e José Morgado fundam e dirigem as Colecções: “Notas e Comunicações de Matemática” (I.M.) para publicação preliminar de artigos de pesquisa e permuta com publicações de outros países; e “Notas de Curso” (I.M.) para publicação de textos de cursos avançados.

Em 1967 Ruy Luís Gomes e José Morgado criaram (como já foi referido) o Curso de Mestrado em Matemática o qual possibilitou à Universidade do Recife, em 1970, ser classificada pelo Conselho Nacional de Pesquisas como Centro de Excelência para este mestrado.

Efectivamente, este movimento matemático intenso criado na Universidade do Recife, em grande parte por influência dos Professores Portugueses que lá se instalaram foi fruto de muito trabalho e dedicação, traduzido nomeadamente pela realização de seminários, reuniões científicas, orientações científicas, intercâmbio com universidades, professores e revistas brasileiras(os) e estrangeiras(os).

A produção científica do Algebrista José Morgado, durante este período, é primordialmente, em Teoria de Reticulados, Teoria de Números e Teoria de Grupos.

Durante o período de exílio Morgado efectuou várias deslocações essencialmente, por motivos profissionais para participar em congressos e outras reuniões científicas. Participou em actividades científicas no Brasil, em países da Europa e noutros países da América Latina, por exemplo:

 

(…) tiveram lugar em Buenos Aires e La Plata, de 22 a 27 de Setembro de 1960, promovidas pela Unión Matemática Argentina sesiones de Matemática que congregaram um numeroso grupo de cientistas. Do Brasil foram especialmente convidados, e apresentaram trabalhos: (…), A. Pereira Gomes e José Morgado (do I.F.M.)” [Gazeta de Matemática 1961]

 

Tanto quanto se sabe, durante este período não voltou a Portugal. O que não significou o afastamento do que se passava no seu País. Nem no que diz respeito ao movimento matemático, nem no que se refere à actividade política. Muito pelo contrário!

Quanto ao movimento matemático, atente-se, apenas como exemplo, no facto de José Morgado ter continuado a ser redactor da Gazeta de Matemática.

Quanto à actividade política, é José Morgado, num discurso de evocação de Ruy Luís Gomes, quem afirma:

 

Houve, (…), quem chegasse a pensar que, no exílio, a actuação política do Professor Ruy Luís Gomes e de outros professores exilados terá sido sem grande interesse, praticamente inexistente! Não foi assim, nem podia sê-lo!

Sempre que foi possível, os democratas portugueses no exílio tomaram posição em defesa da Democracia, em defesa da Unidade de Acção dos democratas portugueses contra o fascismo.” [Morgado 1995]

 

            Neste mesmo discurso, José Morgado relata duas das diversas diligências efectuadas nesse período. Trata-se de duas cartas redigidas e assinadas por Ruy Luís Gomes e José Morgado. Uma, de 12 de Abril de 1965, enviada ao Secretário Geral das Nações Unidas – U Thant – relativa ao “desaparecimento” do General Humberto Delgado. Outra, uma carta aberta dirigida ao Cardeal Cerejeira, por ocasião da sua ida ao Brasil, em Abril de 1968.

            Estas cartas são dois textos belíssimos, que traduzem bem a coragem, a determinação e combatividade dos seus autores na luta pela Democracia.

            Não posso deixar de lhes apresentar algumas passagens destes textos. Na carta ao Secretário Geral das Nações Unidas, pode ler-se:

 

“(…) 4) Como anti-fascistas portugueses, devemos inteira solidariedade ao dirigente anti-fascista General Delgado e não podemos calar-nos perante a simples hipótese de se haver cometido um crime contra a sua pessoa. Por outro lado, as Nações Unidas, que nasceram da solidariedade internacional contra o fascismo, não podem omitir-se perante um crime fascista.

5) Por estes motivos, dirigimo-nos a V. Exª  para que:

a) A organização das Nações Unidas se ocupe do problema do desaparecimento do General Delgado e intime os governos de Salazar e Franco a prestarem contas à opinião mundial sobre o destino que deram a este destacado dirigente anti-fascista; (…) ”[Morgado 1995]

 

Na carta aberta ao Cardeal Cerejeira são inventariados muitos dos ataques aos direitos humanos efectuados pelo Estado Novo o que dá uma visão da situação política e social da altura:

 

É um facto que Vossa Eminência, desde os tempos de simples padre em Coimbra, sempre tem vivido de mãos dadas com Salazar.

Nunca condenou os maus tratos infligidos aos presos políticos, mesmo quando alguns apareceram mortos nas prisões.

Nunca condenou o decreto das medidas de segurança, embora ele permita a prisão perpétua.

Nunca condenou a censura à imprensa, nem mesmo quando ela actuou para impedir a legítima defesa de cidadãos ofendidos na sua dignidade em jornais do Estado Novo.

Nunca teve uma palavra de protesto público contra a supressão da Sociedade de Escritores Portugueses.

Nunca protestou contra os julgamentos políticos nos Tribunais Plenários, nem mesmo quando os acusados eram católicos praticantes.

Nunca se colocou ao lado do povo na luta pelas liberdades democráticas, nem mesmo nos chamados períodos eleitorais.

Nunca tomou posição ao lado dos estudantes portugueses, quando eles reclamam as liberdades académicas e o direito à cultura.

Nunca teve uma palavra de solidariedade para com os perseguidos por motivos políticos.

Nunca defendeu os trabalhadores portugueses em luta pelo pão e pelas liberdades sindicais.

Nunca se pronunciou publicamente contra a perseguição do Estado Novo a Sua Excelência Reverendíssima, o Bispo do Porto, nem contra a prisão de padres católicos por motivos políticos.

Nunca condenou a instalação de bases militares alemãs em território nacional nem condenou a ocupação americana dos Açores depois de terminada a segunda grande guerra.

Nunca se afirmou contra a entrega das riquezas nacionais aos monopólios estrangeiros.

Nunca se elevou contra a estrutura económico-social em que assenta o regime fascista de Salazar. ” [Morgado 1995]

 

Mesmo assim, os signatários da carta entendem que o Cardeal Cerejeira ainda pode mudar de atitude e que o deve fazer porque:

 

Como Vossa Eminência sabe muito melhor que nós, para a Igreja Católica do nosso tempo, Paz significa Desenvolvimento e o Desenvolvimento exige a participação activa do povo na vida política nacional, exige o regresso à pátria do Dr. Mário Soares e de todos os deportados e exilados, exige que se acabe com a tortura de sujeição ao imperialismo, exige a independência das colónias, exige que se acabe com a estrutura económico-social que tem aguentado o fascismo.

Estas reivindicações não são as de um partido político, são as reivindicações básicas do povo português. ” [Morgado 1995]

 

            As quais se mantiveram por satisfazer por longos anos mais! Com a Revolução de 25 de Abril de 1974, Portugal começa uma nova fase… bem como José Morgado.

 

 

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Após a Revolução do 25 de Abril de 1974 e depois de concluir as funções que lhe estavam atribuídas nesse ano lectivo, José Morgado e a sua Família regressam a Portugal.

A 4 de Outubro de 1974 José Morgado é reintegrado no lugar de Assistente além do quadro do Instituto Superior de Agronomia, e cerca de um mês depois, a 7 de Novembro, é nomeado Professor Catedrático do 1º grupo (Matemática Pura) da 1ª secção (Ciências Matemáticas) da Faculdade de Ciências, por convite e por dois anos (findos os quais seria nomeado definitivamente).

Segundo Jorge Almeida e António Machiavelo [Almeida e Machiavelo 2004] são dessa altura as palavras seguintes retiradas de um parecer elaborado por António Almeida e Costa recomendando a contratação de José Morgado pela Universidade do Porto. Almeida e Costa descreve o seu antigo aluno como um “algebrista eminente, sem dúvida um dos maiores se não o maior dos algebristas portugueses” concluindo o seu parecer dizendo

 

O extraordinário labor do Prof. José Morgado durante dezenas de anos na disciplina de Álgebra creditam-no, (…) como um dos grandes algebristas portugueses. A sua entrada como catedrático em qualquer Escola de ensino superior do País, onde a Álgebra faça parte do elenco das respectivas matérias, só pode honrar a Escola que o receber. O Prof. José Morgado não beneficiará do prestígio da Escola; pelo contrário dar-lhe-á prestígio. ” [António Almeida e Costa in Almeida e Machiavelo 2004]

 

Na Faculdade de Ciências do Porto, Morgado reencontrou antigos companheiros, entre eles: Hugo Ribeiro, Luís Neves Real, Pilar Ribeiro, Ruy Luís Gomes.

E, mais uma vez, estes Matemáticos recomeçaram, em Portugal, as suas iniciativas, quer em prol do desenvolvimento científico e cultural do País, quer pela implantação e defesa da Democracia em Portugal… Mas ainda existiam muitas barreiras a ultrapassar…

Deixem-me relatar-lhes apenas um acontecimento: apesar do reconhecido mérito de José Morgado, o seu processo de nomeação definitiva como Professor Catedrático não foi fácil…

 

“É nesta altura que muitos obstáculos surgem e consequentemente muitas iniciativas para os derrubar. (…) António Almeida e Costa – antigo professor de José Morgado e conhecedor da sua vasta e meritória actividade científica – decidiu organizar um abaixo-assinado defendendo a posição de José Morgado. Entre os primeiros signatários estão Almeida e Costa, Ruy Luís Gomes e José Vicente Gonçalves.” [Costa 2002]

 

Só em 24 de Julho de 1979 é que José Morgado é nomeado definitivamente Professor Catedrático (com efeitos retroactivos).

Durante os cerca de 17 anos de carreira docente, no Departamento de Matemática Pura da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, até à sua jubilação em 17 de Fevereiro de 1991, José Morgado Jr. regeu as disciplinas de: Álgebra I, Álgebra II, Álgebra III, Álgebra IV, Álgebra Homológica, Teoria Elementar de Números, Álgebra Linear e Geometria Analítica I, Álgebra Linear e Geometria Analítica II, Tópicos de Matemática Elementar, Geometria, Monografia, Seminário.

Sublinhe-se que durante este período o Professor Morgado sempre regeu as disciplinas de Álgebra I e II, à excepção do ano lectivo de 1989/1990, tendo introduzido alterações de monta no programa; (apenas ele) regeu a disciplina de Teoria Elementar de Números em nove anos lectivos (do programa desta disciplina constavam tópicos como: congruências, funções aritméticas multiplicativas, inteiros regulares módulo n, raízes primitivas e índices, lei da reciprocidade quadrática, equações diofantinas).

É interessante verificar que dos seus programas (existentes no Arquivo da secretaria do Departamento de Matemática Pura da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto) consta, para além dos conteúdos propostos, observações sobre o funcionamento dos cursos que incluem objectivos e indicações metodológicas. O que não era habitual na altura.

José Cardoso Morgado Júnior foi, ainda, Vice-Reitor da Universidade do Porto de Novembro de 1974 a Novembro de 1976, sendo o Reitor Ruy Luís Gomes, substituindo-o nas suas funções em virtude da jubilação deste em Dezembro de 1975.

Após a jubilação, José Morgado manteve, a convite, a actividade docente por mais sete anos, regendo as disciplinas de opção Teoria Elementar de Números e Tópicos de Álgebra.

No discurso de abertura do 2º Encontro de Algebristas Portugueses, realizado no Porto, em 1987, José Morgado – o Presidente da Comissão Organizadora – faz, como tão bem o sabia fazer, uma abordagem histórica da evolução da Álgebra em Portugal, comparativamente com outros países. Esse texto primoroso começa com um grito de esperança e perseverança

 

“Vamos vencer o nosso atraso.” [Morgado 1987]

 

e termina com o reconhecimento do papel determinante dos Matemáticos da designada “geração científica dos anos 40” (onde ele próprio deve ser incluído), dando destaque a António Almeida e Costa (no caso particular da Álgebra), a Ruy Luís Gomes e a António Aniceto Monteiro e apelando vivamente a que vençamos o nosso atraso!

 

A sua [de Almeida e Costa] acção, a acção e lucidez de Ruy Luís Gomes, o entusiasmo e capacidade mobilizadora de António Monteiro, a cooperação de outros, o derrube da ditadura tornaram hoje para nós mais fácil lutar contra o atraso científico do nosso País.

Que o seu exemplo de trabalho, persistência e dedicação nos inspire e fortaleça para darmos o grande salto em frente e recuperarmos o tempo perdido.” [Morgado 1987]

 

E, efectivamente, era esse também o exemplo de José Morgado. Só a título de exemplo refiro a realização de seminários (designadamente: em 1975 regeu um curso de Álgebra Linear destinado a Assistentes do Departamento de Matemática Pura da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto; em 1991 e em 1993 regeu dois cursos no Departamento de Matemática do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, a saber: “Lições sobre Teoria Elementar dos Números” e “Iniciação à Teoria de Galois”); orientações científicas; participação activa em Sociedades Científicas; realização de palestras de divulgação matemática; promoção de intercâmbio com Matemáticos portugueses e estrangeiros.

Em relação à sua produção científica, nesta fase o Matemático José Morgado dedica-se, primordialmente, à investigação em Teoria de Números, em Teoria de Grupos e em História da Matemática.

 

*

 

Para quem se dedica à biografia de Matemáticos, é curioso constatar como muitas vezes as referências feitas por uns Matemáticos a respeito de outros, tão bem se aplicam aos próprios autores. Nesse aspecto José Morgado não é excepção. As suas palavras a respeito de Ruy Luís Gomes descrevem, com rigor, a sua própria postura como Professor. É pelo menos esta a forma como eu  o recordo:

 

Grande Professor, pelo entusiasmo com que ministrava as suas aulas, pelo seu constante interesse no progresso dos seus alunos, pela sua permanente disponibilidade para os atender, pela persistente actualização dos seus cursos (…)” [Morgado 1995]

 

E, não só eu! Jorge Almeida e António Machiavelo, também seus alunos, na frase seguinte:

 

“Em toda a sua acção docente nos comunicava implicitamente a impressão de que poderíamos ser capazes de ir mais longe do que o mestre, e que esse era um objectivo do próprio mestre.” [Almeida e Machiavelo 2004]

 

exprimem de forma muito bem conseguida um dos sentimentos mais sublimes que o Professor Morgado nos fazia sentir. E que eu considero a máxima de um bom professor: o desejo sincero de que os seus alunos consigam ir mais além do que ele próprio.

 

(…) a impressão de que poderíamos ser capazes de ir mais longe do que o mestre, e que esse era um objectivo do próprio mestre.” [Almeida e Machiavelo 2004]

 

Foi ao Professor Morgado a quem ouvi dizer, pela primeira vez, a bem conhecida frase: “se vi mais longe foi porque subi aos ombros de gigantes”. Esta imagem ficou-me gravada na memória, guardei-a no meu imaginário juntamente com as fadas, os duendes e os pés de feijão que crescem até aos céus. Hoje, quase 20 anos depois, reconheço que errei – arquivei-a mal na minha memória. Afinal os gigantes existem! E… posso prová-lo matematicamente! Uma prova simples que aprendi com o Professor Morgado “basta exibir um!”: José Cardoso Morgado Júnior.

 

*

 

 

Prezados Colegas, Minhas Senhoras e meus Senhores

 

 

A terminar permitam-me que relate de forma breve um episódio pessoal… A primeira vez que eu estive em Pegarinhos foi na tarde de 8 de Outubro de 2003. Fui, para me despedir do Professor. Pelo menos foi essa a razão que me levou até lá. Curiosamente, não foi com essa impressão que de lá vim.

O cemitério de Pegarinhos é um local sóbrio, simples, sem ostentações… Por breves momentos durante as exéquias, levantei os olhos acima dos muros que o protegem e… comovi-me. A paisagem que daí avistei provocou-me um turbilhão de sentimentos aparentemente contraditórios. Que grandiosidade, que beleza, que imensidão, que sensação de liberdade!...

Voltei a baixar os olhos para a campa térrea e pensei: que melhor mausoléu poderia acolher este Homem de excepção?

E, voltei menos triste. Afinal, o Professor tinha apenas mudado, mais uma vez, de lugar. E, tal como eu e muitos outros colegas de tantas gerações costumávamos fazer, poderemos continuar a procurá-lo, sempre que precisemos de ajuda ou de reflectir…

Só que agora não é em Lisboa, nem no Porto, nem no Recife… é em Pegarinhos! A sua aldeia natal, onde em cada passo se sente a sua presença!...

 

 

Fontes e Bibliografia

 

[Almeida e Machiavelo 2004] Jorge Almeida e António Machiavelo; José Morgado: In    

            Memoriam, Boletim da Sociedade Portuguesa de Matemática, 50:1-18(2004).

[Bilhoto 1995] M. Zélia Bilhoto; A Gazeta de Matemática, Tese de Mestrado,

Universidade do Minho, Braga, 1995.

[Costa 2002] Cecília Costa; José Vicente Gonçalves: Matemático… porque Professor,

            Centro de Estudos de História do Atlântico, Colecção Memórias nº 37, Funchal,

            2002.

[Machiavelo 2004] António Machiavelo; José Morgado, Conferência proferida no

Encontro de Algebristas Portugueses/2004, 23-25 de Setembro, Departamento

de Matemática da UTAD, Vila Real, 2004.

[Moreira 1994] Mariana do Céu Moreira; A Família Moreira, 1994, (texto privado

            gentilmente cedido por Elisa Alves).

[Morgado 1985] José Morgado; Ruy Luís Gomes Professor e Companheiro, Boletim da

Sociedade Portuguesa de Matemática, 8:5-31(1985).

[Morgado 1987] José Morgado; Vamos vencer o nosso atraso, Centro de Estudos de

            Matemática, pp.1-10, Porto, 1987.

[Morgado 1995] José Morgado; Evocação do Querido Professor e Companheiro, Ruy

            Luís Gomes, manuscrito

[Morgado 1995a] José Morgado; Para a história da Sociedade Portuguesa de

Matemática, Publicações de História e Metodologia da Matemática nº 4,

Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra e Centro de Matemática da Universidade de Coimbra, Coimbra, 1995.

 

Outras fontes:

Certidão de nascimento narrativa completa de José Cardoso Morgado Júnior, Conservatória do Registo Civil de Alijó.

Gazeta de Matemática 1948,1950, 1960, 1961, 1966, 2004.

Jornal de Notícias de 15/06/1947 e de 21/02/1999.

Programas de algumas disciplinas do Curso de Matemática, Arquivo do Departamento de Matemática Pura da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

http://www.dmat.ufpe.br/~mro.htm (11-08-2004).

 

 

RealMat 2005, Alijó, 17 de Fevereiro de 2005



* Trabalho realizado no âmbito da Acção 3.1. – Rostos da Região, inserida no Projecto DOURO/DUERO SEC. XXI (UTAD & USAL) candidatado à iniciativa comunitária INTERREG III A.

 

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