astrolábio

“O astrolábio faz-se desta maneira. No meio de uma tábua redonda que seja de metal ou madeira, e por todas as partes igual, e da grossura de um dedo, se tomará um ponto A, no qual se porá uma ponta do compasso, traçando-se com a outra um círculo, o maior que puder receber a dita tábua. E dentro deste círculo, se traçarão outros dois de modo que o segundo diste do primeiro o tamanho de um grão de trigo, e o terceiro diste do segundo o dobro do que o segundo dista do primeiro. Ajustada a régua sobre o centro A, trace a linha BAC que corta em duas partes iguais cada um dos três círculos. E posta uma das pontas do compasso, aberto segundo a linha BC, no ponto C onde o círculo maior é cortado pela linha BC, com a outra ponta traçar-se-á acima do ponto D um arco de círculo, e outro abaixo de E. E pondo o compasso assim aberto no ponto B, tracem-se outros dois arcos de círculo que cortem os primeiros em F, G e, ajustada a régua em FG, tire-se a linha DE, a qual há-de passar pelo centro A. Divida-se agora o quadrante BD em três partes iguais: em cada uma destas, em outras três e cada qual destas 9 em duas, e cada uma desta 18 em cinco: ficará o dito quadrante partido em 90 partes iguais ou graus, aos quais se porão seus números de cinco em cinco, entre o segundo círculo e o terceiro, começando desde B e acabando com 90 no ponto D. Faça-se agora um furo no ponto D da linha DE, pelo qual se passará um anel ou uma fita resistente, a que se dará uma laçada por onde caiba um dedo. Suspenso o astrolábio, pelo mesmo furo se passará um fio delgado com um peso que venha pendurar-se abaixo de todo o astrolábio. Se, estando suspenso e quieto o astrolábio, o fio cair juntamente sobre a linha DE, estará bem nivelado o instrumento. Se não, do dorso do astrolábio, daquele lado sobre que cair o fio, se irá desbastando até que o fio caia sobre a dita linha. Depois, numa régua feita da mesma matéria, que tenha de largo dedo e meio, se tirará uma recta HI no sentido do seu comprimento e pelo meio da sua largura, à qual régua se dará a forma que na figura se vê, gastando-a numa das suas metades, até ao meio da largura, de modo que fique inteira a linha HI, e o mesmo também se gastará na outra metade até ao meio da sua largura, mas do lado contrário, ficando também inteira nesta parte a linha HI. E cerca das extremidades se porão duas tabuínhas quadradas da largura da régua pelo meio, levantadas perpendicularmente e de meio a meio sobre a linha HI, no centro das quais se farão dois pequenos orifícios, de modo que cada um deles fiquem em direitura sobre a linha HI e a igual distância da sobreface da régua. Esta régua, por um furo feito no meio dela, será fixada sobre o dito astrolábio noutro furo, nele feito, do mesmo tamanho do da régua, no centro A, com uma cavilha que se apertará com uma chaveta, como se vê na figura.”

Compendio del Arte de Nauegar, Rodrigo Samorano, Sevilha, 1591.
Tradução de Luciano Pereira da Silva, in A Astronomia de “Os Lusíadas”, pág. 162/163

 

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