Para beneficiar das opções personalizadas deste site tem de fazer login ou registar-se como sócio da APM.    

ApresentaçãoProfMatLocaisCursosInscriçõesPaulo AbrantesAtas 

Painéis Plenários

O painel plenário será um momento de discussão com vários intervenientes sobre um tema de atualidade potencialmente controverso. É preparado e conduzido por um moderador convidado pela organização que, em conjunto com esta, endereça convites aos restantes membros do painel. Prevêem-se intervenções dos vários membros por solicitação do moderador e em resposta a questões da assistência que é convidada a intervir em momento próprio do painel.

PP 01 - Projeto Práticas Profissionais dos Professores de Matemática
PP 02 - Metas Curriculares e Manuais Escolares
PP 03 - Metas Curriculares e Exames Nacionais
PP 04 - Aprender Matemática: porquê e para quê?



PP 01 - Projeto Práticas Profissionais dos Professores de Matemática

 

5ª feira, 21 de março, 17:00
Auditório Municipal

Moderadora: Susana Carreira, Universidade do Algarve

Intervenientes:

João Pedro da Ponte (coordenador), Instituto de Educação da Universidade de Lisboa
Ana Paula Canavarro, Universidade de Évora
Luís Menezes, Escola Superior de Educação de Viseu
Marisa Quaresma, EB José Saramago, Poceirão, e Unidade de Investigação do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa
Renata Carvalho, Unidade de Investigação do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa

 

 




PP 02 - Metas Curriculares e Manuais Escolares

6ª feira, 22 de março, 14:30
Auditório Municipal

Moderadora: Graça Marques, Universidade do Algarve

Intervenientes:

Luis Menezes, Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico de Viseu

Elsa Barbosa, Escola Secundária de Montemor-o-Novo

Hélia Pinto, Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico de Leiria

 

Com a aprovação, em Agosto de 2012, das Metas Curriculares para a disciplina de Matemática do Ensino Básico iniciou-se uma fase de integração destas e dos Programas do Ensino Básico. Esta integração tem como consequência imediata a necessidade de reajustamento dos manuais escolares, que tiveram de ser adaptados ou mesmo reescritos. O decreto-lei nº 258-A/2012 de 5 de Dezembro veio “estabelecer um procedimento especial de avaliação e certificação de manuais escolares novos a avaliar previamente à sua adoção no ano letivo de 2013-2014 nas disciplinas para as quais foram homologadas metas curriculares (art.º 1º)”.

De acordo com o anexo ao mesmo decreto-lei os manuais escolares têm de "apresentar os conhecimentos da disciplina ou área disciplinar no respeito pelos programas e orientações curriculares oficiais em vigor, bem como pelas metas curriculares já homologadas (nº 2-al.a))" e também devem "responder de forma integral e equilibrada aos objetivos e conteúdos do programa ou orientações curriculares, bem como às metas curriculares existentes. Em caso de conflito entre o programa ou orientações curriculares e as metas curriculares existentes, deve prevalecer o documento recentemente homologado (nº2-al.b))”.

As questões que se colocam nesta fase de integração sobre a elaboração e os conteúdos dos manuais e ainda sobre a forma como os professores terão de gerir o equilíbrio entre esses conteúdos e os objetivos fixados pelos programas são muitas e certamente preocupam os professores.

Neste painel estas questões serão abordadas pelos membros do painel e debatidas entre estes e os participantes no Profmat 2013.




PP 03 - Metas Curriculares e Exames Nacionais

Sábado, 23 de março, 14:30
Auditório Municipal

Moderadora: Nélia Amado, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade do Algarve e Unidade de Investigação do Instituto de Educação, Universidade de Lisboa

Intervenientes:

Sílvia Cunha, Agrupamento de Escolas de Albufeira

Elvira Santos, Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico de Setúbal

Fátima Custódio, FRAPAL e CONFAP

 

As Metas Curriculares do Ensino Básico para a disciplina de Matemática, publicadas pelo Ministério da Educação e Ciência, foram elaboradas em poucos meses e estiveram em discussão pública apenas um mês. Apesar das críticas oriundas dos mais variados setores: desde professores de Matemática do Ensino Básico em nome individual, à Associação de Professores de Matemática, a investigadores em Educação Matemática em nome individual à Sociedade Portuguesa de Investigação em Educação Matemática (SPIEM), as metas foram publicadas e encontram-se em vigor.

Em simultâneo, os alunos do Ensino Básico, passam a estar sujeitos mais exames nacionais do que na maioria esmagadora dos alunos de outros países por esse mundo fora.

As Metas Curriculares para a disciplina de Matemática parecem apresentar profundas discordâncias relativamente ao Programa de Matemática do Ensino Básico, aprovado em 2007. Atualmente os professores de Matemática do Ensino Básico estão confrontados com dois documentos orientadores distintos. Como irão os professores conjugar estes dois documentos perante exames? Estas e outras questões serão discutidas entre os membros do painel e os participantes no ProfMat 2013.

 




PP 04 - Aprender Matemática: porquê e para quê?

Sábado, 23 de março, 17:00
Auditório Municipal

Moderadora: Lurdes Figueiral, Presidente da APM

Intervenientes:

Arsélio Martins, Membro da equipa que elaborou os Programas do Ensino Secundário em vigor

Henrique Guimarães, Membro da equipa que elaborou o Programa do Ensino Básico em vigor

Miguel Abreu, Presidente da SPM

 

 

Em 2013 cumprem-se 10 anos sobre o falecimento de Paulo Abrantes. A APM, com este painel, pretende evocar o seu papel relevante no movimento de renovação do ensino da matemática que se viveu no nosso país desde meados dos anos 80 e o seu contributo decisivo no nascimento e consolidação da nossa Associação.  O título do painel é retirado de um texto da sua autoria sobre os objectivos do ensino da Matemática do Seminário de Milfontes, realizado em 1988, ponto de partida para uma reflexão alargada sobre a renovação do currículo de Matemática. Numa altura em que se estão a introduzir alterações curriculares que contrariam os objetivos que a APM sempre defendeu, este debate assume particular relevância.

 

Neste painel pretende fazer-se um debate em torno dos objetivos do Ensino da Matemática, motivado pela  frase do Paulo Abrantes:

A razão primordial para se proporcionar uma educação matemática prolongada a todas as crianças e jovens é de natureza cultural, associada ao facto de a matemática constituir uma significativa herança cultural da humanidade e um modo de pensar e de aceder ao conhecimento.

 

O painel terá a participação de Arsélio Martins e Henrique Manuel Guimarães, sócios da APM com responsabilidades, respetivamente, nos programas de Matemática do Ensino Secundário e do Ensino Básico em vigor, e de Miguel Abreu, presidente da SPM. Será moderado pela presidente da APM, Lurdes Figueiral.

 

As linhas que estarão na base da intervenção de cada participante são as seguintes:

 

Arsélio Martins

Desde que nos levantámos do chão e olhámos a realidade em redor até nos apropriarmos de elementos exteriores a nós para realizar tarefas do nosso interesse, recorrendo a utensílios  que,  de outro modo não seriam realizadas que constituímos aquilo a que chamamos cultura humana e, por via dela, nos diferenciámos de todas as outras espécies.


A criação de utensílios cada vez mais complexos tornou-se a base da nossa sobrevivência num mundo hostil, povoado de seres fisicamente mais fortes que nós. Precisámos de preservar a memória da nossa agilidade reforçada para que as  gerações seguintes pudessem utilizar ferramentas e criar novas ferramentas mais eficientes. De geração em geração garantimos a manutenção do existente, por um lado, e a criação de novos utensílios a partir da compreensão do funcionamento dos mecanismos sucessivamente criados e cada vez mais usados por cada vez mais humanos.


A comunicação do conhecimento é a base da criação das sociedades humanas e isso significa língua escrita e falada, sons e símbolos carregados de sentido, procedimentos e raciocínios, ... mecanismos a garantir o funcionamento dos mecanismos e a criação de novos mecanismos cada vez mais complexos, na posse de cada vez mais pessoas porque cada vez mais pessoas são necessárias para persistir nessa demanda que reconhecemos nas nossas sociedades que reconhecem a necessidade da formação de todas as crianças e jovens
- para serem independentes e autónomas até terem a liberdade de escolher
- e escolherem participar ativa e conscientemente nas decisões, na realização de todas as tarefas de manutenção e preservação do património existente (isso exige conhecimento da obra feita para o quê de quem) ou até serem criadores de novas  ideias ou mecanismos, quantas vezes reconhecendo aplicações para ideias já existentes, - e quem nos dera! reconhecer e apoiar o que seja a boa utilização e reconhecer e rejeitar o que seja a má utilização, seja isso o que for, e argumentar a favor ou contra no espaço público.


Por isso, não há quem ponha em causa nas sociedades ditas modernas (mais valia dizer na circunstância da sua complexidade), a necessidade da iniciação, pela transmissão de conhecimentos em língua(s)  para que  nos possamos entender todos e sabemos como a é complexa a comunicação global e é, por ela, que nos podemos aperceber  de quais são as disciplinas que exigem iniciação desde a mais tenra idade. O caldo cultural  tem vindo ser engrossado de geração em geração por necessidade de sobrevivência social. A educação escolar não pode ser tudo, mas tem de ser uma base para o crescimento até à intervenção a favor da sociedade.


Em sociedades desenvolvidas como a nossa, com utensílios (equipamentos) complexos, todos reconhecemos que é absolutamente necessária a iniciação científica de cada um dos trabalhadores da mole imensa que assegura a operação, a manutenção, ... a criação de máquinas, sistema, ideias,.…


E haverá alguém que pense em iniciação científica da população sem uma específica iniciação matemática?

 

 

Henrique Manuel Guimarães

 

Artigo 7

lei nº 46/86 - bases do sistema educativo

São objectivos do ensino básico:

a) Assegurar uma formação geral comum a todos os portugueses que lhes garanta a descoberta e

o desenvolvimento dos seus interesses e aptidões, capacidade de raciocínio, memória e espírito crítico, criatividade, sentido moral e sensibilidade estética, promovendo a realização individual em harmonia com

os valores da solidariedade social.

 

"A razão primordial para se proporcionar uma educação matemática prolongada a todas as crianças e jovens é de natureza cultural, associada ao facto de a matemática constituir uma significativa herança cultural da humanidade e um modo de pensar e de aceder ao conhecimento."

 

• A Matemática é, usando palavras de hoje, das ciências mais antigas que a humanidade desenvolveu, e é também, entre as disciplinas escolares, voltando a usar palavras de hoje, aquela que, desde há mais tempo, integra o currículo da escolaridade — cada vez mais precocemente, cada vez mais prolongadamente, cada vez mais dirigida a mais crianças e a mais jovens, cada vez mais por todo o mundo.

 

• Creio — todos crêem, acredito — que não haverá uma razão única para se ensinar (e aprender) Matemática ao longo da escolaridade e, que seja por precaução, hesito em decidir por uma razão primeira para esse ensino, ainda que se esteja a pensar — ou talvez sobretudo — numa educação matemática para todos e (tão) prolongada.

 

• Essa, ou essas razões, são certamente de natureza cultural, como com certeza o são no caso das outras disciplinas escolares, mesmo que ensinadas durante menos tempo na escolaridade e não a todos os alunos. Haverá igualmente razões de outra natureza — histórica, social, política... — e também a este propósito me aconselho algum cuidado no estabelecimento de  primazias.

 

• A Matemática é, reconhecidamente, uma significativa herança cultural do mundo humano — como o são as outras ciências, as artes e (outras) humanidades — que importa não apenas preservar e transmitir de geração para geração, como, em cada geração, partilhar, difundir, desenvolver. E a escola e o ensino das disciplinas escolares têm aqui papel decisivo, sempre tiveram — haveria ciência sem escola? haveria escola sem ciência?.

 

• O ‘valor cultural’ da Matemática proporciona certamente um argumento importante em favor do ensino da Matemática, mas não julgo que por si só constitua justificação bastante, e distintiva, para o lugar e relevo que desde há muito tem no currículo escolar, e para a prolongada educação matemática que se quer para todos.

 

• À Matemática, pelas características que se lhe atribuem enquanto conhecimento e actividade, é também reconhecido um ‘valor formativo’: com a aprendizagem da Matemática adquirimos e desenvolvemos um modo de pensar, uma linguagem e um património conceptual e de procedimentos que lhe são próprios que melhor nos permitem compreender e apreciar o ‘mundo’; com a aprendizagem da Matemática adquirimos e desenvolvemos capacidades e atitudes que a imersão na actividade matemática — autêntica e relevante — promove e consolida, e que são hoje (cada vez) mais tidas como necessárias para uma plena realização pessoal individual e em sociedade.

 

• Também pelas características que a Matemática tem, se lhe reconhece igualmente um ‘valor instrumental’: com a aprendizagem da Matemática adquirimos e desenvolvemos um modo de aceder ao conhecimento e a formas de enfrentar e resolver problemas em outras disciplinas e áreas do saber e do ‘trabalho’ humano, durante e após a escolaridade, nos diversos domínios científicos e tecnológicos, nas artes e em muitos sectores da actividade profissional e de todos os dias.

 

• Destes valores, ‘cultural’, ‘formativo’ e ‘instrumental’ da Matemática — no sentido com que atrás muito sucintamente me referi — a que podemos também acrescentar o valor ‘estético’ e o ‘gosto e gratificação’ que o trabalho com a Matemática pode proporcionar, decorrem a meu ver, as principais razões que justificam a importância do seu ensino e uma educação matemática prolongada a todas as crianças e jovens.

 

• São todavia razões do ponto de vista do professor, importantes nas determinações, gerais e específicas, relativas às orientações e práticas de ensino; para que tenham boa consequência, a Matemática, do ponto de vista dos alunos, deve ter significado e importância no momento em que é ensinada, correspondendo a experiências de aprendizagem ricas e diversificadas, matematicamente genuínas e relevantes.

A disciplina de Matemática no ensino básico deve contribuir para o desenvolvimento pessoal do aluno, deve proporcionar a formação matemática necessária a outras disciplinas e ao prosseguimento dos estudos — em outras áreas e na própria Matemática — e deve contribuir, também, para sua plena realização na participação e desempenho sociais e na aprendizagem ao longo da vida. (PMEB, 2007)

 

 

Miguel Abreu

 

1)  Faz sentido substituir na pergunta do título a palavra "Matemática" por "Português" ou "Inglês"? Faz sentido responder com a mesma substituição de palavras na frase de Paulo Abrantes?

 

2)  Faz sentido substituir na pergunta do título a palavra "Matemática" por "Música", "Pintura" ou "Poesia"? Faz sentido responder com a mesma substituição de palavras na frase de Paulo Abrantes?

 

3) De toda a matemática que se ensina até ao final do 3º ciclo,  o que é que vai ser mesmo necessário ou útil na vida futura de todos os nossos alunos?

 

4) Qual a importância da matemática aprendida no ensino secundário para um futuro médico, economista ou gestor?  E para futuros engenheiros, físicos, biólogos ou gestores de risco na banca e seguros?

 

5) Qual a importância da matemática para o desenvolvimento de um país como Portugal?

 

 







© Copyright 2010 Associação de Professores de Matemática / Todos os direitos reservados