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Apresentação

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ProfMat 2010

 

Com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia

 




A cidade

Mário Sacramento; "O Comércio do Porto" em 22 de Fevereiro de 1969.

Ave Aveiro

Escrevo-te e não sei quem és — como face para sempre talhada! A mais antiga memória que guardo de ti é da ria a transbordar por praças e vielas, nas marés vivas. Sob os lampiões dos Arcos, Rua dos Mercadores abaixo, vogavam bateiras conduzindo os teus íncolas (ia a dizer os teus doges) às soleiras das portas. E eu batia palmas de menino com brinquedo, na janela da avó. Casa escura, com mofo a rato, olhares do José Estêvão no louceiro antigo, um opúsculo do Marques Gomes a dizer-me que um tio de antanho fora decapitado pelo D. Miguel, grades de pimpons nas sacadas de pedra antiga — em que um dia entalei a cabeça (para retomar essa tradição, quem sabe?), tendo sido liberto, depois de muito suor e ferros, por um serralheiro do Mindelo.

Cá fora, os teus ares lavados e tranquilos, escalas tocadas ao piano dos suplícios prendados, uma passagem por baixo do andor de Santa Clara para cortar o freio da língua, luta pelas cavacas do S. Gonçalinho, musicatas nos coretos — e pouco mais...

Salto o calendário e fustiga-me o rosto a saibrada que o vento erguia, corro pela Mina, mergulho nas Pirâmides, pergunto pelo dicionário ao sapateiro da Fonte Nova, faço as primeiras malcriadices no Parque, invejo a farda soldadesca do Luisinho, recebo os tiros do Japão, encaixilho num dos bancos do Jardim uma conversa entre Homem Cristo e Rocha e Cunha, tenho uma icterícia de ovos moles...

Vamos crescendo, os dois, já sem laranjas roubadas na Rua do Gravito e sem aventuras nocturnas pelos arrabaldes — descubro a beleza com que te despedes (te despes) do Sol, perco-me em versos pelos carreiros das marinhas, levo a pasta da namorada à Estação, invento um jornalzinho de estudantes, colaboro no crime nefando de mantear (sob a pêra do José Estêvão!) o anãozito das sentinas... Aprendo a respeitar professores como João Joaquim Pires, José Pereira Tavares, Francisco de Assis Maia, George Agostinho da Silva, António Salgado Júnior, guardo um profundo desprezo por outros, peço dez tostões à minha mãe para comprar O Diabo, lanço uma cervantina burricada pelo teu centro, compenso o José Estêvão ensinando-lhe (junto às grades da estátua) o canto em coro dalnternacional — conspiro adolescentemente...

Que te aconteceu, entretanto? Não dou fé disso. Estavas aí, talvez. Mas há tanto que ler e esgravatar, que só me lembro de te ter nos braços nos bailes dos Bombeiros (Farenheit Adão & Eva), de falar em lobos de Alsácia aos bigodes e à barretina de Homem Cristo, de colher nas palmas das mãos o frio de aço de uma das tuas tão singelas (mas tão típicas!) pontezinhas, de ouvir dizer que um médico te receitara carros de areia e de ler as eruditas notas que um dos teus vates pusera na epopeia em que cantava a descoberta do Brasil... Para onde quer que me volte, descubro, porém, que um braço me acompanha sempre, apontando — como sombra impressa no chão! — o caminho dos meus passos: o do discurso coalhado em bronze do teu tribuna... Lobrigo-o na Barra, mandando calar a ronca; na Costa Nova, mostrando as xávegas desprotegidas; no paredão, invectivando o porto inconcluso; no Senhor das Barrocas, deplorando o que resta do templo; nas cancelas, dizendo porquê? ao tráfego... Nem sempre entendo o que quer, mas que quer, quer!

E redescubro, olhando-o melhor, que eras uma vilazinha apenas, perdida nas brumas do passado... Como eu, cresces desajeitada e errabunda. Largas os calções, engravatas-te, ganhas borbulhas na cara, abres risca na cabeça, asfaltas as pantalonas, escanhoas o arvoredo até ao sangue, pões moderno onde devia ser antigo e antigo onde devia ser moderno, encastelas pornografia barata no fórum administrativo, tiras o nome do teu génio tutelar do frontispício do Liceu, cintas os novos edifícios escolares de casarios que os abafam, coqueteias com um arquitecto francês a perda do teu carácter, ergues altos fornos nas costas da tua sentinela cívica... Deliras, ó púbere! Entrementes, eu trato os filhos do sargento Pires e ele trata-me do pelotão, no Quartel. Pouco tempo tenho, uma vez mais, para dar conta de ti. Passamos um pelo outro, eu trocando a farda pela bata, tu trocando os pergaminhos por licets camarários... Descontas letras onde vendias cafés, proíbes que as casas tenham uma testa mais alta que a do vizinho, assinalas todos os gavetos sem curares de saber que préstimo poderá ter isso nem quantos sejam os que terão instrução para lê-los, fazes concorrência ao Portugal dos Pequeninos como quem ganha saudades dos tempos em que podia brincar... Eu palpo barrigas, tu palpas carteiras. E acontece a tragédia: descubro que envelheço mais depressa do que tu — e sem que tenha podido conhecer-te! Não chegarei a ver-te dona dos teus passos, querida Amiga, e tenho pena, pois virás a ser formosa quando ganhares o juízo que a juventude não tem! Não te passeiam ainda — senão como amostra — as cabeleiras e as barbas psicadélicas. Mas andas tão miniurbe que coro de ver-te!

Passaram os tempos em que davas ovos moles e políticos. (Os ovos eram bons, hoje menos. Os políticos óptimos, mas deu neles a pílula). Deixaste de produzir Cartas Constitucionais, mas ainda promulgas Cartas Comerciais de week-end à John Bull, que barcos de guerra saúdam desflorando-te o porto. E, todavia, és pura ainda, ó Aveiro! Tens o sal, tens o sol, tens o céu encaixilhado nas marinhas — e o bacalhau, sem shorts nem nada, a bronzear-se nos tabuleiros... Serás cidade um dia, ó vila de outrora! Entre les deux ton coeur balance indecisamente — e o meu com o teu... Mas o meu com cãs e o teu indesvendado ainda, como sempre! Foste noiva, foste esposa e és viúva dum só Homem: o que filtra bronze num pedestal eterno... Dele te ficou o segredo de Juvêncio, cujas águas te remoçam transbordando em plenilúnio. Tens dilúvios aguazados, minha Querida, e arcas de Noé que trazem da Terra Nova os hirsutos precursores dos hippies de hoje... Com eles dormes e com eles refloresces, minha Incógnita! O bronze e a salmoira te protejam até à consumação dos séculos!

Amen




A Universidade

Universidade de Aveiro

A Universidade de Aveiro, criada em 1973, rapidamente se transformou numa das mais dinâmicas e inovadoras universidades do país. É, actualmente, frequentada por cerca de 13 mil alunos inseridos nos vários programas de graduação e pós-graduação e, desde cedo, assumiu um papel de relevância no panorama universitário. Às modernas infra-estruturas que oferece, alia a excelência do corpo docente e a qualidade da investigação, há muito reconhecida internacionalmente.

A Universidade de Aveiro oferece Licenciaturas nas áreas de ciências e engenharias, comunicação e arte, ciências sociais, saúde, humanidades, contabilidade e educação. A proposta formativa da Universidade de Aveiro não se esgota, porém, no ensino Universitário e inclui, desde 1997, cursos Politécnicos, sendo quatro as escolas superiores que ministram este ensino de vocação mais profissionalizante: Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro; Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Aveiro; Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda; Escola Superior de Design, Gestão e Tecnologias da Produção – Aveiro Norte.

Pretendendo diversificar a oferta de formação e contribuir para uma mais adequada qualificação de activos, a UA estabeleceu ainda um programa de ensino pós-secundário de curta duração.

Quem pretenda obter formação avançada de reconhecida qualidade, seja antes de ingressar no mercado de trabalho, seja numa perspectiva de formação contínua ou, ainda, para desenvolver investigação científica, encontra na UA um vasto programa de pós-graduação.

Robótica inteligente, telemedicina, comunicações móveis de última geração, bioinformática, genética, novos materiais avançados, protecção ambiental, multimédia e educação. Estas são apenas algumas das áreas de investigação onde a UA tem assumido um papel de destaque. A excelência da investigação é já uma das imagens de marca da Universidade. 83% das suas unidades de investigação foram classificadas como muito boas ou excelentes em avaliações feitas recentemente por especialistas nacionais e estrangeiros. Quatro dessas unidades viram ainda a sua qualidade premiada com a atribuição do estatuto de Laboratório Associado.

A UA não se limita a desenvolver investigação de elevada qualidade. Valorizar economicamente os seus resultados e transferi-los para o sector produtivo é também uma forte aposta da Universidade. A Universidade de Aveiro é um parceiro privilegiado de empresas e de outras entidades nacionais e internacionais, com as quais coopera em diversos projectos e programas e às quais presta importantes serviços, sendo por isso um espaço de investigação onde se desenvolvem produtos e soluções inovadoras que contribuem para o avanço da ciência e tecnologia.

A UA dispõe de uma Unidade de Transferência de Tecnologia, a UAtec, que promove a oferta tecnológica da UA nas empresas, fomenta a investigação dirigida para o mercado, valoriza a propriedade intelectual resultante das actividades de I&D, apoia a criação de empresas de base tecnológica, gere e negoceia os contratos de transferência de tecnologia e elabora novos projectos de I&D em consórcio.




Comissão Organizadora

A Nível Local:

  • Ana Fraga;
  • Albertina Monteiro
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  • Ester Nolasco
  • Liliana Costa
  • Margarida Beça Pereira
  • Teresa Castanhola
  • Teresa Santos
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  • Asélio Martins
  • Domingos Fernandes
  • Jaime Carvalho e Silva
  • Liliana Costa
  • Teresa Bixirão Neto

Comissão de Cursos:







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