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Viana 1989, um ProfMat com alma

Há 20 anos, seguindo-se a Bragança e a Faro, onde decorreram os dois primeiros ProfMat depois da criação da APM em Portalegre em 1986, foi Viana do Castelo — a terra e as gentes de Viana — que acolheu o ProfMat. E como é que foi então?Em 1989, num ano em que pela primeira vez o mês escolhido para a realização do ProfMat passou de Setembro para Outubro — e que agora de novo volta a Setembro — o número de participantes, que de ano para ano vinha a subir, deu um ‘salto’ de quase 200 em relação ao ano anterior, chegando perto dos 550 (tinha então a APM cerca de 1600 associados). Diz-se na nota de apresentação do programa:

“Este ano, as inscrições ultrapassaram o meio milhar. Vai estar portanto a participar no encontro um grande número de professores, cobrindo vários níveis de ensino, sendo também muito elevado o número de contribuições por parte desses professores, quer através de comunicações — cerca de quarenta — quer através da dinamização de sessões práticas, cerca de vinte. É isto que faz o PROFMAT.”

 

 

Depois da aprovação da nova lei de bases do sistema educativo dois anos antes, em 1989 estávamos em plena reforma educativa e com os ‘novos’ programas de Matemática à porta — como agora, curiosamente. Nesse ano lectivo, em que iriam começar a funcionar as turmas experimentais com esses programas, o tema do currículo mereceu grande destaque no ProfMat, com uma sessão plenária que envolveu os autores desses programas e com quatro sessões de trabalho a eles dedicadas, uma para cada ciclo de escolaridade. Para além disso, em diversos tipos de sessões e de intervenções foram tratados temas muito diversificados incidindo maioritariamente sobre abordagens e metodologias de ensino — como a utilização de materiais, a resolução de problemas e o uso do computador e da calculadora na aula de Matemática — mas também sobre o ensino em temas matemáticos como a Geometria e a Estatística.

Na linha dos encontros anteriores, e dos que depois se lhe seguiram, o ProfMat de Viana em 1989 foi um grande encontro de professores e conteve aspectos de mudança significativos para a evolução do ProfMat. Nesse ano, alargou-se a duração do encontro a três dias e meio e introduziram-se, na sua organização e programa, várias inovações.

Surgiram os Grupos de trabalho ocorrendo em três dias consecutivos, propondo temas para discussão e a elaboração de conclusões, com a apresentação de comunicações sobre esses temas — foram assim, podemos dizer, percursores dos actuais simpósios do ProfMat, embora mais estruturados e alargados na sua duração. Esperava-se desses grupos, considerados pela organização como o “eixo principal” nos trabalhos do encontro, “um espaço privilegiado de debate, reflexão e produção” sobre os temas de cada grupo, considerando, porventura com demasiada ambição, que o trabalho desenvolvido pudesse prolongar-se ao longo do ano e mesmo ser retomado no encontro do ano seguinte.

Pela primeira vez num ProfMat, realizou-se a Abertura à População — “Matemática ao vivo” — uma mostra de materiais e propostas de actividades montados num espaço público fora do local do ProfMat, com o propósito de uma comunicação e interacção com a gente da cidade. Ganhou consistência a ideia de edição de um Boletim Informativo do ProfMat, que surgiu em Portalegre e em Faro, e, nesse ano, o boletim consegue publicar-se nos vários dias do encontro. Concretizou-se a proposta da Feira de Ideias e Materiais que vinha de Bragança e que terá sido, na opinião de Paulo Abrantes, “um dos pontos mais altos do ProfMat” (E&M n.º 11).

Se o número de participantes foi elevado, como se disse, foi-o também a quantidade de contribuições, grande parte delas da iniciativa dos professores, através de comunicações dentro e fora dos grupos de trabalho, em sessões práticas e em outros tipos de sessões e actividades do encontro. Era o indício de um “progresso” entre os professores de Matemática que mostravam desse modo o reconhecimento da importância do seu trabalho e do seu papel, e do intercâmbio e discussão das suas experiências. “Este progresso”, dizia Paulo Abrantes no artigo referido, “é talvez o mais importante, aquele que nos pode deixar mais optimistas quanto à expectativa de que o nosso grupo profissional assumirá cada vez mais, colectivamente, o seu papel (decisivo) na renovação educativa”.

“Os professores gostam de se encontrar, naturalmente, [e] para além disso, cada vez mais e em maior número, os professores mostram o que fazem, expõem o que pensam, debatem ideias, confrontam posições”, diz-se na Nota de abertura que apresentava as actas do ProfMat 89 que termina assim:
“O ProfMat tem sido um espaço onde de um modo sempre mais alargado, partilhado e vivido, isso tem acontecido. Os professores que lá têm ido querem e gostam disso: criou-se a alma do ProfMat. É bom que continue e que tenha consequências”.

Henrique Manuel Guimarães




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