Dinâmica de grupo e práticas colaborativas: resultados do Matemática 2001
O professor é, cada vez mais, solicitado para práticas que pressupõem o trabalho conjunto com vista a objectivos comuns. A sua acção deixou de se restringir à sala de aula; passou a ter que intervir em diversos níveis numa escola complexa e agastada, mas ambiciosa e que exige muito aos professores. A qualidade do seu trabalho e o alcance das metas que o professor estabelece dependem, em muito, do grau de cooperação que consegue, em particular com os colegas de grupo.
O projecto Matemática 2001 abordou a questão das práticas colaborativas entre professores. Apresentamos aqui de forma esquemática alguns aspectos dos dados obtidos sobre os quais, pensamos, vale a pena reflectir:
As reuniões formais dos professo-res conselho escolar (1º Ciclo); conselhos de grupo realizam-se em geral mensalmente (uma vez por período no ensino secundário) e, embora abordem assuntos diversos, têm tendência para assumir um cunho fortemente burocrático.
Há escolas que aproveitam estas reuniões para partilhar experiências e analisar casos em que se verificam dificuldades de aprendizagem, tentan-do encontrar algumas estratégias que minimizem o problema.
Alguns delegados de grupo procuram dinamizar o grupo disciplinar mas este cargo parece ser visto como muito pouco atractivo.
No que se refere à selecção dos manuais a adoptar, também atribuição dos grupos, evidencia-se alguma disparidade nos critérios seguidos: Algumas escolas referem ter em conta as orientações enviadas pelo Ministério. (...) Mas também se escolhe o livro que está «mais virado para os exames nacionais». Numa escola, (...) o manual é escolhido no 2º Ciclo por votação e no 3º Ciclo por «intuição». Há também casos (...) em que os manuais são escolhidos por tradição.
As conversas informais são preferidas e melhor aceites do que formas de trabalho mais formais e organizadas. A preparação de aulas e a elaboração de fichas de trabalho e testes, desen-volvidas por grupos de dois professores, surge como o tipo de trabalho colaborativo mais frequente.
Relativamente a esta matéria o relatório final faz, entre outras, as seguintes recomendações:
Devem ser incrementadas as práticas colaborativas entre os professores da mesma escola e entre os professores dos vários níveis de ensino (...) no diagnóstico de problemas de aprendizagem dos alunos, na definição de estratégias de intervenção e avaliação dos alunos e na reflexão sobre a prática pedagógica.
Devem ser incentivadas as práticas colaborativas ao nível da sala de aula, (...) devendo caminhar-se para situações em que mais do que um professor desenvolvam em simultâneo trabalho na mesma turma.
O papel do delegado de grupo deve ser valorizado, tornando-o mais actuante na dinamização do grupo disciplinar e do respectivo projecto pedagógico, e devem ser criados lugares de especialistas curriculares de apoio ao trabalho das escolas e dos territórios educativos, bem como outros sistemas de apoio à distância aos professores.
Em busca de uma identidade própria e na conquista de uma autonomia sólida e progressiva, a escola de hoje exige ao professor a capacidade de desenvolver práticas colaborativas, facilitadoras de uma evolução profícua. Mas, para tal, é necessário e imprescindível que o professor reconheça as vantagens dessas mesmas práticas de modo a tirar delas o melhor partido. Fica para pensar:
Que importância atribui às práticas colaborativas existentes nas escolas?
Que outras formas de trabalho colaborativo se poderão desenvolver?
Que tipo de benefícios poderão trazer, para o ensino/aprendizagem da Matemática em Portugal, as práticas colaborativas ao nível da sala de aula?
Que papel poderão ter os especialistas curriculares de apoio no trabalho dos professores?
Que sugestões tem a fazer a este respeito, para o trabalho a desenvolver ao nível da APM?
Fernanda Perez
ES Amora