Editorial

A APM vai crescer enquanto andar à frente do tempo


Direcção da APM




Andar à frente do tempo é mostrar, pela qualidade do trabalho desenvolvido e pela relevância das ideias defendidas, para onde se quer caminhar. Neste caso que escola queremos e que ensino da Matemática defendemos e procuramos realizar.
Andar à frente do tempo é antecipar discussões e reflexões. É também assumir os problemas como nossos para que a nossa experiência venha a integrar a sua resolução.
Sabemos que as reformas não se decretam e não se normalizam por despachos.
Sabemos que as inovações partem dos professores e a sua multiplicação depende das condições, da divulgação e da discussão que lhes forem proporcionadas.
Conhecemos muitas experiências e práticas que podem ajudar a realizar uma escola cada vez mais justa e mais responsável, que caminhe a par e passo com a sociedade.
A APM tem sido solicitada para se pronunciar sobre vários aspectos da política educativa e tem sujeitado grande parte do seu trabalho de reflexão às agendas da tutela, mas há vários aspectos da realidade escolar e do ensino da Matemática que nos preocupam e sobre o qual pouco temos reflectido e divulgado ideias.
Todo o nosso trabalho (encontros, publicações, núcleos regionais, grupos de trabalho, projectos e oficinas de formação, cursos, projecto Matemática 2001) nos mostra que temos condições para nos adiantar e criar as nossas próprias agendas de reflexão e discussão.
Precisamos de pensar no trabalho colaborativo entre os professores e nas condições e incentivos à sua realização, na autonomia, nas condições de organização das escolas, no fim dos regimes de turnos, no equipamento escolar.
Precisamos de pensar muito na avaliação e nos exames, na utilização de materiais educativos, nos manuais escolares.
Precisamos de pensar mais nas implicações da utilização da tecnologia no ensino da Matemática, nos novos temas matemáticos, nas possibilidades formativas de uma matemática que se desenvolve a olhos vistos, nos objectivos do ensino da Matemática.
Precisamos de pensar no currículo e na Matemática no currículo.
Precisamos de conhecer e divulgar mais experiências e projectos.
Precisamos de pensar como a matemática poderá sair da escola e melhorar a sua imagem pública.
Precisamos com certeza de muito mais coisas.
Precisamos de ter a imaginação suficiente para andar à frente do tempo e fazer com que o tempo venha a ser nosso.