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O Projecto Matemática 2001 realizou um diagnóstico geral da situação do ensino da Matemática em Portugal, do qual se retiram recomendações para diversos intervenientes, entre os quais os professores, as escolas e os territórios educativos, os centros e as instituições de formação e a administração central e regional. A APM, como associação dos professores de Matemática portugueses, deve assumir para si própria algumas recomendações tendo em conta a sua natureza, objectivos e recursos humanos e materiais. Por esta razão, a associação deve procurar definir prioridades e integrar nos seus planos de actividades dos próximos anos a operacionalização das recomendações que considerar mais adequadas. Este ponto divide-se em duas partes. Uma primeira passa em revista as recomendações feitas aos intervenientes mais directos do processo educativo. Uma segunda faz uma análise das possibilidades de intervenção da APM, tendo em consideração as recomendações do estudo, as possibilidades de intervenção de uma associação profissional, o conhecimento do seu trabalho e as articulações que tem vindo a estabelecer com organizações e instituições ligadas à educação.
Recomendações para os actores educativos
Ao longo deste relatório, no final de cada um dos seus pontos, foi apresentado um conjunto de recomendações. Retomamos agora essas recomendações, agrupando-as segundo os seus principais destinatários.
Professores Entre as recomendações que mais directamente se dirigem aos professores, sobressaem as que respeitam à prática pedagógica. Esta deve valorizar tarefas que promovam o desenvolvimento do pensamento matemático dos alunos, nomeadamente a resolução de problemas e as actividades de investigação, e que diversifiquem as formas de interacção em aula, criando oportunidades de discussão entre os alunos, de trabalho de grupo e de trabalho de projecto (Recomendação 3.1). Os professores devem procurar utilizar situações de trabalho que envolvam contextos diversificados (nomeadamente situações da realidade e da História da Matemática) e a utilização de materiais que proporcionem um forte envolvimento dos alunos na aprendizagem, nomeadamente, materiais manipuláveis, calculadoras e computadores (Recomendação 3.2). O manual escolar constitui um instrumento de trabalho importante para professores e alunos. Ele deve ser usado de modo a promover a capacidade de auto-aprendizagem e o espírito crítico dos alunos, por exemplo, através da leitura e análise do texto a propósito do estudo de um conceito ou assunto matemático, da realização de sínteses escritas pelos alunos a partir do estudo no manual, ou da preparação de um tópico (ou actividade) a realizar pelos alunos, seguida da sua apresentação em aula (Recomendação 3.3). Outra área importante do trabalho do professor é a avaliação. Tendo em atenção que os objectivos curriculares incluem competências nos domínios dos conhecimentos, capacidades, atitudes e valores, os professores devem procurar encontrar formas diversificadas de recolha de dados para a avaliação dos alunos, recorrendo, para além dos testes, a relatórios e outros trabalhos e a desempenhos orais dos alunos e procurar formas práticas e eficazes de registo desses dados de forma a viabilizar uma avaliação formativa mais sistemática e a sua integração na avaliação sumativa (Recomendação 3.4). Os apoios pedagógicos constituem uma faceta importante do trabalho escolar, muitas vezes pouco aproveitada. Para se tirar um bom partido do apoio pedagógico acrescido, este deve ser baseado no diagnóstico de dificuldades de aprendizagem e na utilização de estratégias diversificadas de ensino-aprendizagem, valorizando a consideração de métodos diferenciados de trabalho de forma a corresponder melhor às necessidades e interesses dos alunos que os frequentam (Recomendação 4.2). No que respeita ao modo de preparação das actividades lectivas, sugerimos a utilização de fontes diversificadas por parte dos professores, incluindo livros, revistas, relatórios de experiências e outros materiais obtidos de centros de recursos e da Internet (Recomendação 5.1). Sublinhamos a importância do incremento das práticas colaborativas entre os professores da mesma escola e entre os professores dos vários níveis de ensino do mesmo território educativo ou com interesses afins, nomeadamente no diagnóstico de problemas de aprendizagem dos alunos, na definição de estratégias de intervenção e na reflexão sobre a prática pedagógica (Recomendação 5.3). Referimos, muito em especial, a importância das práticas colaborativas ao nível da sala de aula, em todos os níveis de ensino, considerando como desejável que mais do que um professor desenvolvam trabalho na mesma turma (Recomendação 5.4). Finalmente, recomendamos que os professores encarem a formação contínua como um direito/dever e não como algo necessariamente ligado à sua progressão na carreira (Recomendação 7.3).
Escolas e territórios educativos Outro grupo de recomendações diz respeito ao trabalho das escolas e territórios educativos. Atendendo à diversidade dos alunos e dos professores, consideramos que as escolas dos diversos níveis de ensino devem poder escolher mais de um manual de Matemática ou decidir não escolher nenhum manual para cada ano de escolaridade, fazendo essa escolha com base em procedimentos criteriosos, com base nas características das turmas e nos projectos pedagógicos do conselho escolar ou do grupo de Matemática da escola (Recomendação 5.2). Por outro lado, as escolas devem ser equipadas com recursos diversificados para o ensino-aprendizagem da Matemática, incluindo material didáctico, livros e revistas, e os grupos de Matemática devem dispor de recursos tecnológicos específicos para a sua actividade, nomeadamente calculadoras e computadores (Recomendação 6.3). As salas de aula e/ou centros de recursos de escolas do 1º ciclo do ensino básico devem ser equipados com materiais manipuláveis, calculadoras e computadores para o ensino-aprendizagem da Matemática (Recomendação 6.4) e deve ser posto em prática um plano de criação de laboratórios de Matemática em todas as escolas do 2º e 3º ciclo do ensino básico e do ensino secundário, com base em projectos apresentados pelas próprias escolas (Recomendação 6.5). Em termos das condições de trabalho, considera-se ainda fundamental a criação de salas de trabalho para os professores nas escolas dos 2º e 3º ciclos do ensino básico e ensino secundário (Recomendação 6.6). O trabalho realizado nos apoios pedagógicos e na área extra-curricular pode ser substancialmente melhorado se for objecto de planeamento e avaliação continuados ao nível das escolas e territórios educativos. Assim, consideramos que o actual sistema de apoio pedagógico acrescido deve ser revisto no seu funcionamento, cabendo às escolas a responsabilidade de estudar os melhores meios de o usar e adaptar às suas necessidades, introduzindo mecanismos de avaliação e regulação da sua actividade e seus resultados, nomeadamente criando condições institucionais tempo, horários compatíveis, designação dos professores e organizativas tempo, constituição dos grupos de alunos/turmas a propor para apoio (Recomendação 4.1). A área extra-curricular deve ser valorizada, promovendo-se a participação de professores em projectos e actividades de carácter cultural como clubes, dias e semanas da Matemática, jornais de Matemática, exposições e concursos de problemas e de actividades de investigação, no quadro do projecto pedagógico do conselho escolar ou do grupo de Matemática de cada escola (Recomendação 4.4). As mudanças nas práticas profissionais dos professores (lectivas e extra-lectivas) envolvem um reforço da colaboração, do papel dos órgãos de coordenação pedagógica. Requerem também a existência de estruturas de apoio pedagógico. Assim, consideramos que devem ser incrementadas as práticas colaborativas entre os professores da mesma escola e entre os professores dos vários níveis de ensino do mesmo território educativo ou com interesses afins, nomeadamente no diagnóstico de problemas de aprendizagem dos alunos, na definição de estratégias de intervenção e na reflexão sobre a prática pedagógica (Recomendação 5.3). Do mesmo modo, o papel do delegado de grupo deve ser valorizado, tornando-o mais actuante na dinamização do grupo disciplinar e do respectivo projecto pedagógico, e devem ser criados lugares de especialistas curriculares de apoio ao trabalho das escolas e dos territórios educativos, bem como outros sistemas de apoio à distância aos professores (Recomendação 5.5). Finalmente, devem ser criadas estruturas de apoio local aos professores dos diversos níveis de ensino (particularmente do 1º ciclo) e delegados de grupo, capazes de promover o esclarecimento das orientações curriculares e o aconselhamento relativamente ao diagnóstico de problemas educativos e elaboração de projectos de intervenção (Recomendação 6.7).
Centros e instituições de formação A formação de professores deve ser continuamente avaliada, de modo a melhorar a sua qualidade e adequação às necessidades. Para isso, devem ser instituídos sistemas de avaliação dos centros e das instituições que fazem formação inicial e contínua de professores e dos respectivos projectos de formação (Recomendação 7.4). Muito em especial, entendemos que as universidades e escolas superiores de educação devem promover uma reflexão e discussão sobre a qualidade da formação inicial que proporcionam, tendo em conta as componentes de formação necessárias e as competências profissionais desejáveis para os novos professores de Matemática no início do século XXI (Recomendação 1.1). Deve ser dada uma atenção especial à formação profissional de professores de Matemática nas regiões do país e nos níveis de ensino mais carenciados neste domínio muito em especial o 3º ciclo do ensino básico (Recomendação 1.3). Para além da formação inicial de professores, deve ser incentivada a realização de formação especializada para o desempenho de funções específicas, nomeadamente delegados de grupo e especialistas curriculares em todos os níveis de ensino (Recomendação 7.5), assim como, no 1º ciclo, a existência de professores especialmente vocacionados para a dinamização do ensino da Matemática, aos quais deverá ser dada formação específica neste domínio (Recomendação 7.6) . A formação deve integrar aspectos do conteúdo com as perspectivas curriculares e os conhecimentos sobre a aprendizagem. Por um lado, devem ser reforçadas componentes que ilustrem a importância de temas como a Geometria e Estatística na aprendizagem dos alunos, evidenciando o seu papel formativo como instrumento na interpretação e intervenção sobre a realidade (Recomendação 2.2). Por outro lado, devem ser proporcionadas oportunidades de formação que alarguem e diversifiquem as perspectivas dos professores em relação à avaliação dos alunos, valorizando os seus aspectos formativos e a sua função no diagnóstico de dificuldades de aprendizagem e na redefinição de estratégias de ensino (Recomendação 2.3). Para o apoio pedagógico acrescido deve ser proporcionada formação aos professores sobre diagnóstico de dificuldades de aprendizagem e a utilização de estratégias diversificadas de ensino-aprendizagem, valorizando a consideração de métodos diferenciados de trabalho de forma a corresponder melhor às necessidades e interesses dos alunos que os frequentam (Recomendação 4.2). Tão ou mais importante que os conteúdos da formação são os modos de realização dessa formação. As acções de formação contínua devem ter uma forte ligação à prática lectiva, sendo preferencialmente centradas nas escolas ou nos territórios educativos e devem ser dadas oportunidades aos professores de Matemática para poder frequentar acções de formação na sua área específica (Recomendação 7.1). Além disso, devem ser criadas oportunidades de formação que favoreçam o envolvimento dos professores em torno de actividades que correspondam às suas efectivas necessidades e interesses, valorizando modalidades como os círculos de estudos, oficinas de formação e projectos (Recomendação 7.2).
Administração central e regional A administração central e regional tem um papel fundamental na criação das condições de trabalho adequadas para um bom ensino da Matemática. Um aspecto importante destas condições de trabalho diz respeito aos espaços e recursos. Neste domínio é importante que seja posto em prática um plano de eliminação a curto prazo dos turnos e regimes duplos no funcionamento das escolas dos diversos níveis de ensino (Recomendação 6.1). As escolas devem ser equipadas com recursos diversificados para o ensino-aprendizagem da Matemática, incluindo material didáctico, livros e revistas, e os grupos de Matemática devem dispor de recursos tecnológicos específicos para a sua actividade, nomeadamente calculadoras e computadores (Recomendação 6.3). As salas de aula e/ou centros de recursos de escolas do 1º ciclo do ensino básico devem ser equipados com materiais manipuláveis, calculadoras e computadores para o ensino-aprendizagem da Matemática (Recomendação 6.4). Deve ser posto em prática um plano de criação de laboratórios de Matemática em todas as escolas do 2º e 3º ciclo do ensino básico e do ensino secundário, com base em projectos apresentados pelas próprias escolas (Recomendação 6.5). Além disso, devem ser criadas salas de trabalho para os professores nas escolas dos 2º e 3º ciclos do ensino básico e ensino secundário (Recomendação 6.6). Outro aspecto importante das condições de trabalho diz respeito ao apoio a dar aos professores. Devem ser-lhes proporcionados estímulos que contribuam para uma atitude mais positiva em relação à profissão, nomeadamente em termos de progressão na carreira, formação e condições de trabalho (Recomendação 1.4). Devem também ser criadas estruturas de apoio local aos professores dos diversos níveis de ensino (particularmente do 1º ciclo) e delegados de grupo, capazes de promover o esclarecimento das orientações curriculares e o aconselhamento relativamente ao diagnóstico de problemas educativos e elaboração de projectos de intervenção (Recomendação 6.7). A administração central e regional tem um papel importante na definição dos diversos aspectos do currículo oficial. Tem assim uma responsabilidade particular na clarificação das grandes finalidades para o ensino da Matemática propostas nos currículos, quer ao nível da sua formulação, quer ao nível da sua articulação com os objectivos gerais, proporcionando maior integração dos diversos domínios (conhecimentos, capacidades e atitudes e valores) e maior ênfase nos objectivos dos domínios das atitudes e valores relacionados com a Matemática (Recomendação 2.1). Tem também um papel a desempenhar na revisão do actual sistema de apoio pedagógico acrescido, nomeadamente criando condições institucionais tempo, horários compatíveis, designação dos professores e organizativas tempo, constituição dos grupos de alunos/turmas a propor para apoio adequadas ao seu funcionamento (Recomendação 4.1). Outro domínio importante diz respeito à substituição da actual área-escola, tanto no ensino básico como no ensino secundário, por uma área curricular com horário próprio (Recomendação 4.3). Outro sector das responsabilidades da administração central e regional respeita a mudanças na organização escolar e no sistema de formação. Cabe-lhe, em particular, tomar medidas que favoreçam o incremento das práticas colaborativas entre os professores da mesma escola e entre os professores dos vários níveis de ensino do mesmo território educativo ou com interesses afins, nomeadamente no diagnóstico de problemas de aprendizagem dos alunos, na definição de estratégias de intervenção e na reflexão sobre a prática pedagógica (Recomendação 5.3). Cabe-lhe também tomar medidas que favoreçam a valorização do papel do delegado de grupo, tornando-o mais actuante na dinamização do grupo disciplinar e do respectivo projecto pedagógico, e que criem lugares de especialistas curriculares de apoio ao trabalho das escolas e dos territórios educativos, bem como outros sistemas de apoio à distância aos professores (Recomendação 5.5). Cabe-lhe igualmente incentivar a realização de formação especializada para o desempenho de funções específicas, nomeadamente delegados de grupo e especialistas curriculares em todos os níveis de ensino (Recomendação 7.5), incluindo professores especialmente vocacionados para a diamização do ensino da Matemática no 1º ciclo (Recomendação 7.6) e regular os sistemas de avaliação dos centros e das instituições que fazem formação inicial e contínua de professores e dos respectivos projectos de formação (Recomendação 7.4). Finalmente, cabe-lhe conduzir a revisão do estatuto profissional dos professores, separando a progressão na carreira da formação contínua, que deve ser entendida como direito/dever de todos os professores (Recomendação 7.3).
Identificação e caracterização das áreas de intervenção
Indicamos aqui as principais áreas de intervenção que sugerimos para a APM. O conhecimento das estruturas e da actividade da associação ajuda a estabelecer linhas de acção e, por outro lado, estas propostas de trabalho podem ter um papel importante no desenvolvimento dessas estruturas e dessa actividade. As recomendações do Projecto Matemática 2001 com implicações mais directas para a actividade da APM podem agrupar-se em cinco áreas, a saber: (i) o currículo oficial, (ii) manuais escolares, (iii) avaliação, (iv) gestão curricular e (v) práticas profissionais.
Currículo oficial O relatório do Projecto Matemática 2001 sugere que o currículo oficial (tal como consta em documentos como os "programas", "planos de organização do ensino-aprendizagem", "orientações gerais do programa", etc.) está a evoluir no sentido da flexibilização e pode ser aperfeiçoado em diversos aspectos, muito em especial ao nível das suas finalidades. Propomos por isso dois eixos fundamentais de actuação: 1. Aprofundar a reflexão em torno das grandes finalidades para o ensino da Matemática. Consideramos que devem ser clarificadas as grandes finalidades para o ensino da Matemática propostas nos currículos, quer ao nível da sua formulação, quer ao nível da sua articulação com os objectivos gerais, proporcionando maior integração dos diversos domínios (conhecimentos, capacidades e atitudes e valores) e maior ênfase nos objectivos dos domínios das atitudes e valores relacionados com a Matemática (Recomendação 2.1). É preciso continuar a reflectir sobre as implicações de uma escola para todos e de uma Matemática para todos. A Matemática que se ensina depende da posição que se assumir nesta matéria. Por isso, é importante clarificar quais as finalidades do ensino da Matemática, tanto na educação básica como no ensino secundário: na educação básica porque há nove anos de escolaridade obrigatória em que a disciplina de Matemática é obrigatória para todos e tem um peso curricular elevado; no ensino secundário porque se começa a discutir a necessidade de se diversificar a matemática a ensinar de acordo com as áreas de estudo. 2. Aprofundar o conhecimento das várias tendências de organização curricular e intervir no seu desenvolvimento. O currículo está a evoluir no sentido da flexibilização e da adaptação às realidades locais. É um processo que decorre à escala nacional e internacional e em relação ao qual o ensino da Matemática não se pode alhear. Por isso, torna-se necessário: acompanhar e reflectir sobre a implementação da flexibilização curricular em curso para o ensino básico. acompanhar e reflectir sobre práticas diversas de organização curricular que vão sendo implementadas no âmbito dos diplomas legais ou para além deles (currículos alternativos, flexibilização curricular, ensino recorrente diurno, programas das escolas de ensino artístico e das escolas profissionais, apoios educativos, etc.). A clarificação das grandes finalidades do ensino da Matemática e o aprofundamento das implicações da flexibilização do currículo podem ser realizados através de iniciativas diversas, com destaque para seminários e debates promovidos pela APM, enventualmente em colaboração com outras entidades.
Manuais escolares Os manuais escolares mereceram bastante atenção por parte do Projecto Matemática 2001. Os elementos obtidos evidenciam, mais uma vez, o facto que os manuais desempenham um papel decisivo no processo de ensino-aprendizagem. Neste domínio propomos: 3. Promover uma reflexão aprofundada sobre os modos de utilização do manual escolar e sobre os critérios de selecção de manuais a usar nas escolas e proporcionar oportunidades de formação neste domínio. Por um lado consideramos que o manual escolar deve ser usado de modo a promover a capacidade de auto-aprendizagem e o espírito crítico dos alunos, por exemplo, através da leitura e análise do texto a propósito do estudo de um conceito ou assunto matemático, da realização de sínteses escritas pelos alunos a partir do estudo no manual, ou da preparação de um tópico (ou actividade) a realizar pelos alunos, seguida da sua apresentação em aula (Recomendação 3.3). Por outro lado, recomendamos que as escolas dos diversos níveis de ensino devem poder escolher mais do que um manual de Matemática para cada ano de escolaridade ou mesmo nenhum fazendo essa escolha com base em procedimentos criteriosos, segundo o projecto pedagógico do conselho escolar ou do grupo de Matemática da escola (Recomendação 5.2). O uso do manual escolar pelos alunos, o partido que dele tiram os professores e o modo como os manuais são seleccionados nas escolas, são aspectos importantes da prática profissional dos professores, com significativas repercussões na aprendizagem. Trata-se de aspectos até aqui relativamente pouco discutidos na comunidade de educação matemática portuguesa, sendo imperioso dedicar-lhes bastante mais atenção. A reflexão a realizar sobre os modos de utilização do manual escolar e sobre os critérios de selecção de manuais pode ser levada a efeito através da realização de estudos, seminários e círculos de estudos e oficinas de formação. Estes estudos devem ter em conta não só os modos de utilização do manual por professores e alunos, mas também as respectivas características em termos de adequação ao currículo, ao aluno e ao estilo de trabalho do professor. Estes estudos podem dar origem a um seminário, que poderia contar com participantes internacionais. Os círculos de estudos e as oficinas de formação devem ser vistos não só como modos de formação, mas também como formas de fazer crescer o conhecimento profissional dos professores, tomados como grupo profissional. Círculos de estudos centrados sobre este tema podem congregar uma experiência importante, alimentadora das realizações indicadas nos pontos anteriores. A sua promoção poderia ser incentivada pelo Centro de Formação da APM e pelos Núcleos Regionais.
Avaliação O Projecto Matemática 2001 abordou igualmente a avaliação, um aspecto que se sabe ser decisivo na estruturação de toda a actividade escolar. Os dados obtidos confirmam tratar-se de uma área extremamente problemática, como indiciam as dificuldades e preocupações manifestadas pelos professores. Assim, propomos: 4. Reflectir sobre as funções da avaliação e sobre as formas de as concretizar, promovendo oportunidades de formação neste domínio. Tendo em atenção que os objectivos curriculares incluem competências nos domínios dos conhecimentos, capacidades, atitudes e valores, os professores devem procurar encontrar formas diversificadas de recolha de dados para a avaliação dos alunos, recorrendo, para além dos testes, a relatórios e outros trabalhos e a desempenhos orais dos alunos e procurar formas práticas e eficazes de registo desses dados de forma a viabilizar uma avaliação formativa mais sistemática e a sua integração na avaliação sumativa (Recomendação 3.4). Para isso, devem ser proporcionadas oportunidades de formação que alarguem e diversifiquem as perspectivas dos professores em relação à avaliação dos alunos, valorizando os seus aspectos formativos e a sua função no diagnóstico de dificuldades de aprendizagem e na redefinição de estratégias de ensino (Recomendação 2.3). Continua a ser muito importante discutir qual o lugar, importância e papel da avaliação formativa e sumativa, tanto no ensino básico como no ensino secundário. Que objectivos podem ser avaliados por cada instrumento de avaliação? Como avaliar as capacidades e as atitudes? Como combinar a informação recolhida através de instrumentos diversos? Que feedback dar ao aluno e ao encarregado de educação? Trata-se, também, de aspectos pouco estudados na própria literatura de educação matemática portuguesa, sendo importante promover o respectivo aprofundamento como primeiro passo para a adopção de novas práticas pelos professores. A reflexão sobre os vários papéis da avaliação e as diversas formas de os concretizar poderá ser feita através da realização de projectos nas escolas, orientados para a promoção de novas práticas e a realização de círculos de estudos e oficinas de formação. De novo, os círculos de estudo e oficinas de formação, podem ter um papel importante na promoção de novas perspectivas e de novas práticas de avaliação. Tal como anteriormente, a sua realização poderia ser incentivada pelo Centro de Formação da APM e pelos Núcleos Regionais.
Gestão curricular O relatório do Projecto Matemática 2001 sugere que é importante continuar a reflectir sobre diversos aspectos das práticas pedagógicas, bem como empreender acções que promovam o seu desenvolvimento, em harmonia com as grandes orientações curriculares actuais. Destacamos duas linhas fundamentais de actuação: 5. Incentivar e promover a diversificação das situações da prática pedagógica e a utilização de materiais, evidenciando o papel do professor no desenvolvimento curricular e profissional e valorizando a sua reflexão. Consideramos que a prática pedagógica deve incluir situações de trabalho variadas, valorizando tarefas como a resolução de problemas e as actividades de investigação que promovam o desenvolvimento do pensamento matemático dos alunos e que diversifiquem as formas de interacção em aula, criando oportunidades de discussão entre os alunos, de trabalho de grupo e de trabalho de projecto (Recomendação 3.1). Do mesmo modo, a prática pedagógica deve utilizar situações de trabalho que envolvam contextos diversificados (nomeadamente situações da realidade e da História da Matemática) e a utilização de materiais que proporcionem um forte envolvimento dos alunos na aprendizagem, nomeadamente, materiais manipuláveis, calculadoras e computadores (Recomendação 3.2). Para isso, as escolas devem ser equipadas com recursos diversificados para o ensino-aprendizagem da Matemática, incluindo material didáctico, livros e revistas, e os grupos de Matemática devem dispor de recursos tecnológicos específicos para a sua actividade, nomeadamente calculadoras e computadores (Recomendação 6.3). Deve, igualmente, ser posto em prática um plano de criação de laboratórios de Matemática em todas as escolas do 2º e 3º ciclo do ensino básico e do ensino secundário, com base em projectos apresentados pelas próprias escolas (Recomendação 6.5). Na verdade, deverá prestar-se uma atenção muito grande à forma como os professores entendem os diferentes tipos de situações de trabalho e de tarefas para os alunos. O uso de materiais deve ser incentivado, no quadro de uma mudança da natureza das tarefas e dos modos de trabalho dos alunos. Trata-se, bem entendido, de aspectos nucleares das práticas profissionais. 6. Incentivar e promover trocas de experiências e oportunidades de formação relativas às necessidades e possibilidades do apoio pedagógico acrescido e ao trabalho extra-curricular. Para o apoio pedagógico acrescido deve ser proporcionada formação aos professores sobre diagnóstico de dificuldades de aprendizagem e a utilização de estratégias diversificadas de ensino-aprendizagem, valorizando a consideração de métodos diferenciados de trabalho de forma a corresponder melhor às necessidades e interesses dos alunos que os frequentam (Recomendação 4.2). O trabalho extra-curricular deve ser valorizado, promovendo-se a participação de professores em projectos e actividades de carácter cultural como clubes, dias e semanas da Matemática, jornais de Matemática, exposições e concursos de problemas e de actividades de investigação, no quadro do projecto pedagógico do conselho escolar ou do grupo de Matemática de cada escola (Recomendação 4.4). Os apoios pedagógicos são uma oportunidade de ir de encontro às necessidades individuais dos alunos que importa potenciar. O trabalho extra-curricular é especialmente importante para o estabelecimento de uma boa relação dos alunos com a Matemática, e também para a valorização da escola como espaço de expressão e desenvolvimento cultural. A utilização de materiais pedagógicos, as trocas de experiências e oportunidades de formação relativas às necessidades e possibilidades do apoio pedagógico acrescido podem ser apoiadas pela divulgação de projectos de inovação e de investigação-acção realizados nas escolas. A realização destes projectos necessita de incentivos e apoios que podem ser feitos a partir dos Núcleos da APM, do Centro de Formação, da Internet e dos Núcleos. Práticas profissionais Finalmente, o relatório do Projecto Matemática 2001 indica a necessidade de reflectir e intervir no que se refere às práticas e à cultura profissional dos professores. Também neste âmbito propomos duas linhas de actuação: 7. Promover uma reflexão sobre o papel do delegado de grupo e os apoios pedagógicos necessários aos professores. Consideramos que o papel do delegado de grupo deve ser valorizado, tornando-o mais actuante na dinamização do grupo disciplinar e do respectivo projecto pedagógico, e devem ser criados lugares de especialistas curriculares de apoio ao trabalho das escolas e dos territórios educativos, bem como outros sistemas de apoio à distância aos professores (Recomendação 5.5). Deve também ser incentivada a realização de formação especializada para o desempenho de funções específicas, nomeadamente delegados de grupo e especialistas curriculares em todos os níveis de ensino (Recomendação 7.5) e deve ser incentivado no 1º ciclo a existência de professores especialmente vocacionados para a dinamização do ensino da Matemática, aos quais será dada formação específica neste domínio (Recomendação 7.6) . As propostas de valorização do papel dos delegados de grupo e de criação de especialistas curriculares devem ser acompanhadas por uma discussão sobre a natureza e funções destes cargos, a sua formação e sobre a forma de os exercer, de modo a potenciar a melhoria da qualidade do trabalho profissional e educativo. 8. Aprofundar o conhecimento sobre acesso à informação, redes de formação, trabalho colaborativo e realização de projectos nas escolas. Consideramos que deve ser encorajada a utilização de fontes diversificadas na preparação das actividades lectivas, incluindo livros, revistas, relatórios de experiências e outros materiais obtidos de centros de recursos e da Internet (Recomendação 5.1). Devem ser incrementadas as práticas colaborativas entre os professores da mesma escola e entre os professores dos vários níveis de ensino do mesmo território educativo ou com interesses afins, nomeadamente no diagnóstico de problemas de aprendizagem dos alunos, na definição de estratégias de intervenção e na reflexão sobre a prática pedagógica (Recomendação 5.3). Devem também incentivar-se práticas colaborativas ao nível da sala de aula, em todos os níveis de ensino, devendo caminhar-se para situações em que mais do que um professor desenvolvam trabalho namesma turma (Recomendação 5.4). Em termos das condições de trabalho das escolas, considera-se ainda fundamental a criação de salas de trabalho para os professores nas escolas dos 2º e 3º ciclos do ensino básico e ensino secundário (Recomendação 6.6). A realização de projectos nas escolas, as redes de formação e o trabalho colaborativo são uma forma de organização extremamente promissora para promover a mudança curricular e o desenvolvimento profissional e realização dos professores, e a qualidade da sua acção educativa, sendo importante evidenciar as condições e as estratégias que favorecem o seu desenvolvimento. O papel do delegado de grupo e os apoios pedagógicos necessários aos professores pode constituir o tema de projectos de inovação e de investigação-acção. Por outro lado, a divulgação de projectos realizados nas escolas, sobre esses e sobre outros temas, pode contribuir para um melhor conhecimento das potencialidades das redes de formação e do trabalho colaborativo. A realização destes projectos necessita de incentivos e apoios que podem ser proporcionados a partir dos Núcleos da APM, do Centro de Formação, da Internet e dos Núcleos. De um modo geral, a realização de estudos por grupos de trabalho da APM, a realização de seminários, a promoção de modos de formação como as oficinas e os círculos de estudos, a produção e divulgação de materiais e o apoio à realização de projectos nas escolas constituem as formas principais para concretizar os objectivos propostos. A colaboração com instituições do ensino superior poderá revelar-se útil para a realização de seminários e de projectos de investigação. A estrutura organizativa da APM permite disponibilizar recursos materiais e apoios logísticos que podem ser muito importantes para a realização de projectos de investigação e intervenção a desenvolver, por exemplo, no quadro de parcerias com instituições de ensino superior ou centros de investigação.
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