Condições de trabalho

 

Apresentam-se neste ponto os resultados do estudo no que se refere às condições de trabalho existentes nas escolas. A análise efectuada incide sobre aspectos gerais dessas condições de trabalho, bem como sobre os recursos específicos para a disciplina de Matemática.

 

Condições gerais das escolas

As condições de trabalho e os recursos existentes nas escolas dos diversos níveis de ensino têm-se alterado nos últimos anos embora de forma bastante desorganizada e irregular, existindo escolas com condições de trabalho e recursos muito diferentes umas das outras.

A pouca autonomia da escola e uma organização baseada na lógica "um professor lecciona uma disciplina (ou uma turma no 1º ciclo) numa sala de aula" têm contribuído para que as condições de trabalho, nomeadamente as que implicam o trabalho de equipa, se não alterem significativamente.

As Direcções Regionais de Educação, cujas competências definidas pelo Decreto-Lei 361/89 como "serviços intermédios entre a administração central e as escolas" abarcam também as áreas dos recursos educativos, têm tido dificuldade em responder às necessidades reais das escolas.

No caso do 1º ciclo nem sempre parecem estar muito claras as obrigações das autarquias locais perante as escolas, sendo as respostas variadas e dependentes da maior ou menor sensibilidade dos autarcas aos problemas da educação.

Assim, é vulgar as escolas e os professores não saberem bem a quem solicitar resposta às necessidades respeitantes a recursos educativos.

Relativamente às condições gerais das escolas, foi proposto aos professores do 2º ciclo, 3º ciclo e ensino secundário, através do inquérito, que classificassem a sua escola segundo os parâmetros , Fraca, Razoável e Boa, em cada um dos seguintes aspectos: (1) Estado geral de conservação; (2) Salas de aula; (3) Equipamento; (4) Espaço de trabalho/convívio dos professores; (5) Material de consumo corrente; (6) Recursos Financeiros. A maioria dos professores classificou de Razoável quer o estado geral de conservação dos edifícios quer ainda as salas de aula, espaços de trabalho e também os equipamentos e recursos financeiros (gráfico 6.1).

Gráfico 6.1: Classificação da escola

(instalações, equipamentos e recursos)

 

 

Uma análise mais atenta permite observar que é relativamente aos equipamentos que a opinião dos professores é mais negativa com 38% de classificações de ou Fraca, seguindo-se os recursos financeiros com 35% de classificações negativas e os espaços de trabalho com 32%.

Foi relativamente aos equipamentos e recursos que se verificam as percentagens mais baixas de classificações de Boa. Os dados revelaram alguma dificuldade dos professores em classificar a escola relativamente a recursos financeiros. Uma percentagem relativamente alta (11%) não respondeu a este item.

Os contactos directos com as escolas mostraram que a situação, no que respeita ao estado de conservação das instalações e ao equipamento, é muito variada. No entanto, na generalidade das escolas, não há espaços de trabalho para os professores, não existem ainda Centros de Recursos ou Bibliotecas e quando existem apresentam muitas deficiências. Muitas salas de aula têm ainda como único equipamento mesas, cadeiras e o quadro preto.

No 1º ciclo, o contacto directo com as escolas permite, de igual modo, referir a existência de situações muito diferentes, havendo escolas com condições de trabalho consideradas satisfatórias e outras (muitas) com uma situação muito deficiente no que respeita a instalações, equipamentos e recursos.

Referências como as que se seguem foram frequentes nas reuniões: "faltam instalações para reunirmos" (escola secundária), "não há sala de professores e o gabinete da directora é pequeníssimo" (escola do 1º ciclo), "há uma pequena biblioteca no gabinete da directora, que funciona também como sala de professores" (escola do 1º ciclo).

Podemos ainda constatar que, no 1º ciclo, alguns equipamentos fundamentais só são adquiridos em virtude de iniciativas de professores mais dinâmicos ou através de associações de pais.

Assim, numa primeira análise, parece não haver uma correspondência entre a classificação de Razoável revelada pelos dados do inquérito e a opinião recolhida no contacto com os professores nas reuniões realizadas nas escolas.

Os professores foram também questionados sobre o regime de horário existente na escola, tendo-se verificado que as escolas continuam em muitos casos a funcionar por turnos no 2º ciclo, 3º ciclo e ensino secundário e em regime duplo no 1º ciclo.

No 1º ciclo, 46% dos professores que responderam ao questionário tinham horário em regime duplo e 54% em regime normal. Nos restantes ciclos esta questão não foi colocada no inquérito, no entanto é sabido que a maioria das escolas funciona ainda em regime de 2 turnos no período diurno.

Este aspecto tem condicionado de forma muito negativa a organização e funcionamento das escolas. O espaço de encontro e trabalho colaborativo entre os professores ou a organização de espaços e actividades não lectivas ou de apoio educativo são seriamente colocados em causa com esta organização da escola. Nos contactos com os professores, foram frequentes referências do tipo: "não temos horas para reunir", "andamos assoberbados de solicitações e faltam instalações para reunirmos", "a escola funciona por turnos, só temos duas horas à terça-feira para reunir".

 

Número de alunos por turma

Foi pedido no inquérito aos professores dos 2º e 3º ciclos e ensino secundário que indicassem o número máximo e mínimo de alunos das suas turmas (tabela 6.1).

 

Tabela 6.1 - Número minímo e máximo de alunos por turma

2º ciclo 3º ciclo Ens. sec.

mínimo máximo mínimo máximo mínimo máximo

média 21 25 22 26 19 25

desvio padrão 4,9 4,2 4,9 4,0 6,6 5,8

Uma primeira análise dos dados parece indicar que o número de alunos por turma se situa entre cerca de 20 e 25. No entanto, uma observação mais atenta, que aliás é sugerida pelos valores do desvio padrão, permite concluir que o número de alunos por turma é muito variável. Um número significativo de professores que responderam ao inquérito referiu ter pelo menos uma turma com mais de 25 alunos. A observação do gráfico 6.2 permite constatar que no 2º ciclo e no ensino secundário a percentagem de professores que referiu ter 25 ou mais alunos por tuma foi de cerca de 60% e que uma percentagem ainda significativa de professores afirmou ter turmas com 30 ou mais alunos (10% no 2º ciclo, 17% no 3º ciclo e 21% no ensino secundário).

 

Gráfico 6.2 – Número de alunos por turma

Percentagem de professores que leccionam turmas com menos de 20 alunos ou com um número de alunos igual ou maior a 20, 25 ou 30

 

No 2º ciclo, muitos dos professores que referiram ter turmas com menos de 20 alunos indicaram que tal se devia ao facto de nelas estarem integrados alunos do ensino especial ou com dificuldades de aprendizagem.

Em geral, os professores consideram inadequado o número de alunos das suas turmas. Perante a pergunta "considera o número de alunos das suas turmas adequado?", a percentagem de respostas negativas foi de cerca de 60% no 2º ciclo e no ensino secundário e de cerca de 70% no 3º ciclo. Para a esmagadora maioria dos professores, o número adequado de alunos por turma situa-se entre os 15 e os 20.

No 1º ciclo, a situação relativamente ao número de alunos é também muito diversa, havendo turmas com um número elevado, enquanto em zonas isoladas existem escolas com um professor único e um número de alunos reduzidíssimo.

continua