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Neste ponto começamos a abordar as práticas dos professores. Analisamos as situações e modos de trabalho com os alunos, a utilização de diversos tipos de materiais e as práticas de avaliação.
Situações de trabalho na aula
A Associação de Professores de Matemática produziu, em 1988, um documento sobre renovação curricular que incluia orientações para as práticas lectivas. Muitas das sugestões constantes neste documento foram retomadas pelos programas de Matemática de 1991, e estão em consonância com as orientações produzidas por relatórios de organismos internacionais e de associações de professores de outros países. Basicamente é recomendada uma ênfase na realização, pelos alunos, de actividades matemáticas significativas, como a resolução de problemas e a aplicação da Matemática a situações da vida real. Considera-se que as situações de aprendizagem devem ser diversificadas e incluir momentos de discussão, tanto entre o professor e os alunos (em trabalho colectivo) como dos alunos entre si (em trabalho aos pares e em pequenos grupos). Considera-se, igualmente, que a utilização de materiais diversos, de novas tecnologias e a integração da História da Matemática são elementos importantes para garantir uma aprendizagem significativa por parte dos alunos. No inquérito aos professores dos 2º e 3º ciclos do ensino básico e do ensino secundário, foi apresentada uma lista de situações de trabalho na aula e pedia-se que assinalassem a frequência com que utilizavam cada uma das situações indicadas nessa lista. Podiam optar entre nunca ou raramente, em algumas aulas, em muitas aulas e sempre ou quase sempre. A tabela 3.1, na página seguinte, apresenta a percentagem de professores que usam com muita frequência isto é, sempre ou em muitas aulas cada uma das situações de trabalho1 .
Tabela 3.1 Situações de trabalho na aula (somas das percentagens atribuídas aos valores mais elevados sempre ou em muitas aulas)
Relativamente a uma elevada frequência de utilização, podemos claramente dividir as situações de trabalho na aula em três grupos: os Exercícios, a Exposição por parte do professor e os Problemas são situações de trabalho muito referidas; a História da Matemática e o Trabalho de Projecto não são praticamente referidas; o Trabalho com situações da realidade, a Discussão entre alunos e as Actividades de exploração têm um número significativo de referências. Ao analisar estes dados, constata-se que os Exercícios são a situação de trabalho na aula mais frequente em todos níveis de ensino. Cerca de 93% dos professores usam-nos sempre ou em muitas aulas. A Exposição pelo professor é também muito usada, aumentando de importância à medida que avançamos no nível de escolaridade. Ao contrário, a Resolução de problemas e o Trabalho com situações da realidade vão perdendo expressão na prática lectiva ao longo da escolaridade. Relativamente ao Trabalho com situações da realidade é de sublinhar a diferença de referências existente entre o 2º ciclo (62%) e o ensino secundário (26%), ocupando o 3º ciclo uma posição intermédia. Não parece haver diferenças significativas entre os ciclos no que se refere à prática de Discussão entre os alunos. As Actividades de exploração, a História da Matemática e o Trabalho de Projecto têm poucas referências em todos os níveis de escolaridade como situações de trabalho utilizadas com muita frequência. É no entanto de salientar que cerca de 56% dos professores referem que utilizam Actividades de exploração em algumas aulas. Apesar de 50% de professores do 3º ciclo referir nunca utilizar a História da Matemática, 48% referem que ela é utilizada em algumas aulas. O Trabalho de projecto é também referido por 24% dos professores como sendo utilizado em algumas aulas. O estudo da História da Matemática pode estimular a curiosidade dos alunos para saber a origem dos assuntos que estudam. Cria ainda oportunidade de contactar com ideias e personalidades que tiveram uma grande importância na ligação da Matemática a domínios como a Física, a Astronomia, a Filosofia ou a Religião, ajudando a melhor compreender a cultura actual. Poderá assim influenciar o modo como os alunos vêem a Matemática e o seu envolvimento na aprendizagem da disciplina. As respostas obtidas sugerem que a História da Matemática tem uma presença importante nas aulas de um número significativo de professores, embora isso esteja longe de acontecer de modo generalizado. As actividades de projecto estimulam a capacidade de pesquisa, a autonomia, a cooperação e a responsabilidade dos alunos, que são factores importantes no seu desenvolvimento. Apesar de não se esperar que a metodologia de projecto seja usada sempre/quase sempre, trata-se no entanto de uma metodologia que poderia ser mais incentivada visto poder centrar-se em problemas relevantes para os alunos, vertente a que os programas dão grande ênfase.
Modos de trabalho com os alunos
Foi também apresentada aos professores dos mesmos três níveis de ensino uma lista de modos de trabalho na sala de aula pedindo-se que assinalassem a frequência com que recorriam a situações envolvendo Trabalho individual, Trabalho de pares, Trabalho de grupo ou Trabalho com toda a turma. O gráfico 3.1 traduz a forma como os professores responderam.
Gráfico 3.1 Modos de trabalho na sala de aula
Relativamente aos modos de trabalho na aula, verifica-se que o Trabalho individual é dominante. Cerca de 70% dos professores usam com muita frequência esta forma de trabalho com os alunos na sala de aula. No caso do Trabalho de pares esta percentagem é de 63%. Bastante significativa é a percentagem de 53% dos professores que dizem utilizar o Trabalho com toda a turma sempre ou em muitas aulas. Apesar deste modo de trabalho ter menos referências do que os outros dois modos, ele não deixa assim de ter uma expressão importante. O Trabalho de grupo é o modo de trabalho menos utilizado. Mais de 26% dos professores indicam que nunca ou raramente utilizam esta forma de trabalho e só 12% a referem como usada com muita frequência, não havendo diferenças significativas entre os vários ciclos. No 1º ciclo, 3% dos professores dizem dividir a sua turma em grupos para realizar actividades de Matemática e 7% nunca o fazem. A grande maioria dos professores (90%) indicou recorrer às vezes ao trabalho de grupo, pelo que este tipo de trabalho parece estar a ganhar alguma expressão neste nível de ensino. Relativamente à forma como as salas estão arrumadas, as informações obtidas nas reuniões realizadas nas escolas permitem perceber que em quase todas as escolas as salas estão organizadas de forma tradicional, com mesas para dois alunos. Só em duas escolas, uma EB 2/3 e outra do 1º ciclo, os professores referem que as salas estão arrumadas em U. Numa escola do 1º ciclo, a sala está organizada de acordo com o ano de escolaridade, número e heterogeneidade dos alunos: a disposição em U é mais característica dos 1º e 2º anos enquanto que nos 3º e 4º anos se formam grupos. Existe também " o cantinho da leitura" criado para os alunos que terminavam os trabalhos e esta referência é a única relativamente à criação de "cantinhos" destinados a determinadas actividades.
Utilização de materiais Os professores foram também inquiridos sobre a frequência com que utilizam, na sua prática lectiva actual, determinados tipos de materiais que constavam numa lista que lhes foi fornecida. As respostas obtidas no conjunto do 2º ciclo, 3º ciclo e ensino secundário fornecem os dados da tabela 3.2 que apresentamos na página seguinte. Da análise destes dados evidenciam-se os seguintes aspectos: uma grande e generalizada utilização do manual adoptado mais de 80% dos professores utilizam-no com muita frequência (em muitas aulas ou sempre/quase sempre); o mesmo se passa, embora em menor grau (um pouco menos de 60%), com as fichas de trabalho; a calculadora tem já uma utilização com algum significado, com 50% dos professores a declararem utilizá-la em muitas aulas ou mesmo sempre/quase sempre (apenas pouco mais de 10% dos professores afirmam utilizá-la nunca ou raramente); os restantes materiais relativamente aos quais os professores foram inquiridos têm uma frequência de utilização muito baixa. |
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