Aproveitamento em Matemática
Quanto ao aproveitamento em Matemática, no final de qualquer dos níveis de ensino, o panorama não é animador. Para efeitos de comparação, vale a pena registar as taxas oficiais de progressão/conclusão nos anos terminais dos vários ciclos em 1994/95: 4º ano - 85%; 6º ano - 88%; 9º ano - 86%; 12º ano (via ensino) - 60%; 12º ano (via tecnológica) - 54%.
Relativamente à evolução dos níveis obtidos na disciplina de Matemática no 3º período do 9º ano, apenas foi possível obter dados da região da Grande Lisboa, fornecidos pelas próprias escolas, através da respectiva Direcção Regional de Educação. A tabela 1.4 diz respeito a 130 escolas oficiais que, nesta região, têm turmas do 9º ano (de um total de 177).
Tabela 1.4 Aproveitamento em Matemática no 3º período do 9º ano, na grande Lisboa
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Ano
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total
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nível<3 ou abandono
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(%)
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nível=3
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(%)
|
nível>3
|
(%)
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91/92
|
16863
|
6117
|
36
|
7626
|
45
|
3120
|
19 |
|
1992/93
|
16912
|
5690
|
34
|
7792
|
46
|
3430
|
20
|
|
93/94
|
17382
|
6360
|
37
|
7664
|
44
|
3358
|
19
|
|
94/95
|
19082
|
6528
|
34
|
8646
|
45 |
3908
|
20 |
|
95/96
|
15564
|
5600
|
36 |
6673
|
43 |
3291
|
21 |
|
96/97
|
14928
|
5834
|
39 |
5943
|
40 |
3151
|
21 |
Fonte: escolas
A percentagem de níveis negativos em Matemática no final do 9º ano é realmente elevada. Note-se que essa percentagem atinge o valor mais baixo em 92/93 e volta depois a subir.
Relativamente ao 12º ano, os dados que constam na tabela 1.5, na página seguinte, dizem respeito aos exames nacionais do ensino secundário nos dois últimos anos.
Tabela 1.5 Percentagem de classificações positivas e nota média dos alunos internos (A.I.) e externos e autopropostos (A.E.A.) nos exames de Matemática do 12º ano
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classif. 10
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Nota média
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A.I
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A.E.A
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A.I
|
A.E.A
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1995/96
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32%
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5%
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7,3
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2,9
|
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1996/97
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37%
|
11%
|
8,8
|
4,8
|
Fonte: DEPGEF
Em 95/96, a Matemática foi a disciplina em que a média das notas de exame foi mais baixa. Além da Matemática, só em Física e em Química se verificou uma percentagem de negativas superior a 50%. A percentagem de notas positivas, entre os alunos internos, no conjunto de todas as disciplinas foi de 56%.
Em 96/97, os resultados melhoraram um pouco. A média nacional para os alunos internos foi de 8,8 valores, mesmo assim só acima da média de Física. A percentagem de notas positivas, nos alunos internos, passou de 32% para 37%, ainda longe da percentagem relativa ao conjunto das disciplinas (54%).
Considerando todos os alunos (internos e externos/autopropostos), verifica-se que os alunos dos cursos orientados para o prosseguimento de estudos (CSPOPE) tiveram melhor média que os seus colegas dos cursos orientados para a vida activa (CSPOVA) 7,8 valores contra 6,0 e maior percentagem de classificações positivas 31% contra 18%.
Qualificação profissional dos professores (dados oficiais)
Ao longo dos anos 70 e 80, a falta de qualificação profissional de uma larga percentagem de professores era uma característica conhecida do grupo de Matemática, constituindo um dos mais sérios problemas do sistema educativo ao nível da composição do corpo docente.
Este problema era especialmente nítido no 1º grupo do ensino secundário. Em 1980/81, apenas cerca de metade dos professores que leccionavam Matemática do 7º ao 12º anos eram profissionalizados (51%) e, dos restantes, a maioria (mais de um terço do total) não podia aceder à profissionalização por não ter sequer habilitação própria. Nos anos 80, os esforços de profissionalização (inicial e em exercício) não foram suficientes para modificar este estado de coisas, tanto mais que, entre 1980 e 1988, o número total de professores do grupo quase duplicou (passando de 3000 para 5500, aproximadamente). Em 1988/89, a percentagem dos professores profissionalizados mantinha-se nos 51%, enquanto a dos que não tinham habilitação própria apenas baixara de 35 para 30%, com a agravante de mais de dois terços destes últimos não terem sequer qualquer grau académico de nível superior (licenciatura ou bacharelato).
No 4º grupo do ensino preparatório (professores de Matemática e Ciências), a situação era diferente, uma vez que em 1988/89 havia já uma significativa maioria de professores efectivos (61%) e apenas 7% não tinham habilitação própria. Porém, neste grupo, a inadequação das habilitações académicas de base de muitos professores, para ensinar especificamente Matemática, é desde há muito apontada como uma grave deficiência do sistema.
Nos últimos 10 anos, a situação terá mudado consideravelmente, pelo menos de um ponto de vista formal. Para isso contribuiu certamente a redução da taxa de natalidade no país, bem como a formação de novos professores nas Escolas Superiores de Educação e nas Universidades. Para essa mudança, contribuiu também o sistema de profissionalização em serviço e, em particular, o facto de este se tornar acessível a professores que beneficiaram de alterações introduzidas em certos períodos na definição da "habilitação própria".
A tabela 1.6, na página seguinte, refere a evolução entre 1988 e 1994 das percentagens de professores de Matemática profissionalizados e não profissionalizados. No 4º grupo do ensino preparatório, a percentagem de professores profissionalizados passou de 61% em 88/89 para 88% em 94/95. No 1º grupo do ensino secundário, embora continuando a haver muitos professores sem habilitação própria, a evolução é ainda significativa, tendo aquela percentagem passado de 51% para 62% em idêntico período.
Esta evolução parece constituir um facto muito positivo, ainda que, só por si, não permita evidentemente avaliar os modos como a profissionalização é obtida.
Além disso, existem profundas assimetrias regionais, havendo distritos onde a percentagem de professores profissionalizados é relativamente elevada (Coimbra, Aveiro, Porto...) e outros onde é tradicionalmente muito baixa (Beja, Évora, Bragança...). Por exemplo, em 1988/89, no 1º grupo do ensino secundário, esta percentagem era de quase 70% em Coimbra contra apenas 17% em Beja.
Tabela 1.6 Professores profissionalizados e não profissionalizados de Matemática, no 4º grupo do ensino preparatório e no 1º grupo do ensino secundário
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88/89(%)
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91/92(%)
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94/95(%)
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4º grupo do ensino preparatório (5º-6º anos)
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|
|
profissionalizados
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61 |
66 |
88 |
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om habilitação própria e estagiários
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32 |
28 |
11 |
|
sem hab. própria (inc. horários vagos)
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7 |
6 |
1 |
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88/89(%)
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91/92(%)
|
94/95(%)
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1º grupo do ensino preparatório (7º-12º anos)
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|
|
|
profissionalizados
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51 |
54 |
62 |
|
om habilitação própria e estagiários
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19 |
13 |
15 |
|
sem hab. própria (inc. horários vagos)
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30 |
33 |
23 |
Fontes: GEP, IGE, DEPGEF
Observando dados mais recentes (de 1994/95), podemos comparar a situação em Coimbra e no Baixo Alentejo (tabela 1.7): repare-se que, nesta segunda região, não só a percentagem de professores profissionalizados é muito baixa como a maioria dos professores não tem sequer habilitação própria.
Tabela 1.7 Professores do 1º grupo do ensino secundário, profissionalizados e sem habilitação própria 1994/95
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Profissionalizado(%)
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Sem hab. própria(%)
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Coimbra
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79 |
5 |
|
Baixo Alentejo
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25 |
60 |
|
total do continente
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62 |
23 |
Fonte: DAPP