Contexto e caracterização

 

Neste primeiro ponto do relatório, apresentam-se e comentam-se diversos dados que são relevantes para o estudo. Uma parte desta informação tem origem em estatísticas oficiais e diz respeito à evolução das populações estudantil e docente, ao aproveitamento escolar e à qualificação dos professores de Matemática. Outros dados referem-se a diversos aspectos que caracterizam o grupo profissional dos professores desta disciplina e provêm essencialmente do inquérito nacional realizado no âmbito deste estudo.

População escolar
Nas duas últimas décadas, como resultado da evolução demográfica, a população escolar diminuiu drasticamente no ensino básico. Este fenómeno é especialmente nítido no 1º ciclo — onde o número de alunos caiu, desde o princípio dos anos 80, de mais de 800 mil, para cerca de meio milhão — mas atinge também os restantes, ainda que, no 3º ciclo, o alargamento da escolaridade obrigatória possa tê-lo compensado no início dos anos 90. Quanto ao ensino secundário, o número de alunos tem crescido sempre na última década, e só no corrente ano lectivo (97/98) os dados indicam o contrário, mas estes últimos dados são ainda provisórios (tabela 1.1).

Tabela 1.1 — Número de alunos matriculados no ensino regular diurno

94/95
96/97
97/98
1º ciclo
527055
480540
484563
2º ciclo
288378
271659
257548
3º ciclo
422467
394611
388290
secundário
331819
354080
342650
Fonte: DAPP

 

Nos últimos anos, o número de professores dos 1º e 2º ciclos do ensino básico regista apenas pequenas variações, enquanto no 3º ciclo e no ensino secundário há uma subida nítida (tabela 1.2).
Tabela 1.2 — Número de professores do ensino público

94/95
96/97
97/98
1º ciclo
31275
31413
32629
2º ciclo
28703
29225
27276
3º ciclo + sec
64508
67105
71857
Fonte: DAPP

Quanto à população escolar do ensino secundário, é interessante observar como se distribui por vias e por agrupamentos. A tabela 1.3 refere-se ao número de alunos matriculados no 10º e no 12º anos e à sua distribuição pelos quatro agrupamentos e pelas duas vias de ensino (curso geral ou curso tecnológico).

Tabela 1.3 — Número de alunos matriculados nos 10º e 12º anos, por agrupamento [estudos (1) científico-naturais; (2) artísticos; (3) económico-sociais; (4) humanísticos] e por via de ensino [curso geral; curso tecnológico]

10º ano
1º agr.
2º agr.
3º agr.
4º agr.
c. tecn.
c. geral
c. tecn.
c. geral
c. tecn.
c. geral
c. tecn.
c. geral
94/95
13470
41050
2661
6318
12446
15393
4783
23690
96/97
14764
50808
3520
7741
13399
14353
5994
27119
97/98
12966
49723
3197
6870
11329
11871
5343
24697

12º ano
1º agr.
2º agr.
3º agr.
4º agr.
c. tecn.
c. geral
c. tecn.
c. geral
c. tecn.
c. geral
c. tecn.
c. geral
96/97
7632
32891
1660
5070
7697
12342
2711
16320
97/98
8635
41767
1931
6180
8151
11940
3051
19524
Fonte: DAPP

O número de alunos matriculados nos cursos tecnológicos é francamente inferior ao daqueles que se inscreveram nos cursos orientados para o prosseguimento de estudos. No 10º ano, em 94/95, aquele número representava 28% do total, uma percentagem que baixou nos anos seguintes (27% em 96/97 e 26% em 97/98). Esta tendência só não se verifica no 3º agrupamento e é especialmente visível no 1º e no 4º. No 12º ano, a disparidade é ainda maior, sugerindo um índice de insucesso maior entre os alunos dos cursos tecnológicos. Comparando o 10º ano de 94/95 com o 12º ano de 96/97, a percentagem de alunos destes cursos baixa de 28% para 23%.

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