O que é o Matemática 2001?
Matemática 2001 é um estudo realizado, entre Março de 1996 e Outubro de 1998, pela Associação de Professores de Matemática com o propósito de elaborar um diagnóstico e um conjunto de recomendações sobre o ensino e a aprendizagem da Matemática no nosso país. Diz respeito ao ensino básico e ao ensino secundário e abrange todo o território nacional. A designação adoptada pretende sublinhar a preocupação fundamental em contribuir para uma melhoria do ensino da nossa disciplina num futuro a curto prazo simbolicamente no início do século XXI.
O estudo foi desenvolvido por um grupo de trabalho nomeado especialmente para o efeito pela Direcção da APM e incide em três aspectos essenciais:
o as práticas pedagógicas no ensino da Matemática;
o as necessidades de formação e desenvolvimento profissional dos professores;
o as condições de apoio ao ensino/aprendizagem.
O trabalho desenvolveu-se ao longo de um período de cerca de dois anos e meio, contando com o apoio financeiro do Instituto de Inovação Educacional (IIE), e percorreu diversas fases:
o organização e planeamento do trabalho de Março a Julho de 1996;
o recolha de dados até Setembro de 1997;
o análise dos dados e elaboração do relatório preliminar até Março de 1998;
o discussão alargada com os professores até Junho de 1998;
o elaboração do relatório final publicado em Novembro de 1998.
O que motivou a realização do Matemática 2001?
A realização deste estudo teve uma dupla motivação. Por um lado, precisávamos de dispor de dados que nos permitissem traçar um quadro da situação do ensino da Matemática a nível nacional como base para avançarmos com recomendações pertinentes. Por outro lado, a informação recolhida e analisada poderia contribuir quer ao longo da realização do estudo quer após a sua conclusão para dinamizar a reflexão e a discussão colectiva entre os professores de Matemática, sem as quais não haverá uma melhoria efectiva do ensino da nossa disciplina.
Um dos pontos de partida deste trabalho foi uma grande preocupação com a persistência do insucesso em Matemática, apesar das mudanças operadas nos últimos tempos. Há doze anos, o manifesto de fundação da Associação de Professores de Matemática (APM) invocava a necessidade de uma profunda renovação da Matemática escolar, a par de uma maior intervenção dos professores nessa renovação, numa altura em que os nossos programas eram muito antiquados e inadequados em todos os aspectos. De então para cá, muitas coisas mudaram, em especial com a reforma educativa e com um aumento significativo da capacidade de organização e intervenção dos professores. Porém, hoje reconhece-se que a mudança do início dos anos 90 foi substancial em termos de orientações curriculares, mas não foi acompanhada por um movimento adequado de formação de professores, nem pela criação, nas escolas, das condições que os novos programas requerem.
Não seriam certamente de esperar mudanças espectaculares em pouco tempo mas a verdade é que há razões para questionar alguns aspectos do próprio processo de renovação: O que mudou de facto nos últimos anos? Até que ponto as novas orientações curriculares estão a ser seguidas? As condições em que se desenvolve o ensino e a aprendizagem da Matemática correspondem às necessidades? A formação de professores está a ser adequada?
Os problemas que enfrentamos são complexos e não se resolvem com análises simplistas. No entanto, a informação disponível a respeito dos fenómenos que afectam o ensino e a aprendizagem da Matemática não nos permitia responder àquelas questões com base num conhecimento da situação a nível nacional.
Com efeito, a informação disponível provinha essencialmente de dois tipos de fontes. Por um lado, tínhamos dados estatísticos sobre os professores e os alunos, bem como sobre os resultados destes, nomeadamente nos exames e em testes realizados no âmbito de estudos internacionais. Este tipo de informação permitia-nos quantificar a falta de professores qualificados ou confirmar que uma grande parte dos objectivos curriculares pré-estabelecidos não são atingidos por uma percentagem significativa dos nossos alunos, isto é, por outras palavras, que existe uma distância considerável entre o currículo enunciado e o currículo aprendido. Todavia, deixava de fora aquilo que realmente se passa dentro dos muros das escolas e das paredes das sala de aula, em particular o modo como os professores interpretam e procuram concretizar o currículo, assim como as condições e a formação de que dispõem para o fazer, ou seja, pouco nos dizia sobre o currículo implementado.
Por outro lado, tínhamos dados com origem na investigação realizada no domínio da educação matemática. Estes dados forneciam-nos informação valiosa sobre professores, alunos, escolas e salas de aula mas, sendo a educação matemática muito recente em Portugal como área de investigação e baseando-se sobretudo em estudos de caso, não nos conduziam directamente a um quadro da situação a nível nacional.
Em que dados se baseia o Matemática 2001?
A fase de recolha de dados foi deliberadamente prolongada, tendo-se recorrido a um conjunto diversificado de fontes de informação:
o recolha e sistematização de dados e de resultados de estudos já existentes;
o recolha de bibliografia e documentos relevantes;
o reuniões com os grupos de professores de Matemática em várias escolas;
o realização de um inquérito dirigido aos professores de Matemática.
Estes vários modos de recolha de informação incidem nas questões centrais do estudo, completando-se uns aos outros. Em particular, tanto o inquérito como as reuniões nas escolas têm um âmbito nacional, abrangem o ensino básico e o secundário e focam questões ligadas às condições de trabalho e à formação dos professores. Mas enquanto o inquérito tem um carácter individual, reflecte visões pessoais e inclui diversos itens sobre as práticas pedagógicas, as reuniões centram-se na dinâmica e nos principais problemas de funcionamento do grupo disciplinar de Matemática ou do Conselho Escolar no 1º ciclo.